Paulo Passoni e Shu Nyatta – dois executivos que ajudaram a montar o Softbank Latin America Fund e se tornaram a principal interface do grupo com dezenas de empresas investidas – estão deixando a companhia de Masayoshi Son.

A notícia da saída começou a circular entre fundadores das investidas pouco antes do feriado, e o Softbank agiu rápido para anunciar sucessores.

Os dois novos managing partners serão Alex Szapiro – o ex-CEO da Amazon Brasil que se juntou ao grupo há um ano como um operating partner – e Juan Franck, o head de investimentos do Softbank no México.

Michel Combes, o CEO do Softbank International, passa a acumular o cargo de CEO do Softbank Latin America, que estava vago desde a saída de Marcelo Claure.  Michel vai se reportar a Rajeev Misra, o CEO do Vision Fund.

Para reassegurar o ecossistema de startups sobre seu compromisso com a América Latina, o Softbank também está prestes a anunciar que pretende investir mais US$ 2 bilhões na região ainda este ano – além dos US$ 5 bi já anunciados.

As mudanças no topo do Softbank Latin America são um desenrolar – de certa forma previsível – da saída de Marcelo Claure, o ex-No. 2 do Softbank que convenceu Masa a investir na América Latina e recrutou todo o time na região.

De lá para cá, o Softbank já investiu US$ 7 bilhões na América Latina, mudando de patamar uma indústria de venture capital que apenas engatinhava há anos.  O portfólio de Masa na região hoje inclui 81 empresas (60 delas no Brasil) e cinco fund of funds.

Claure deixou o grupo no final de janeiro em meio a discordâncias com Masa sobre sua compensação, mas – apesar de toda a turbulência causada – o grupo continuou trabalhando. Só no primeiro tri deste ano, o Softbank investiu US$ 250 milhões na região em diversos follow-ons.

A saída de Passoni e Nyatta teve a ver com divergências sobre dois aspectos do relacionamento com o Softbank.

Na semana passada, ao anunciar o novo plano global de remuneração dos seus executivos de investimento, Masa mudou o esquema de compensação, tornando discricionária uma parte significativa do ‘carry’ (a remuneração variável dos executivos, que é um percentual da performance do fundo). Este modelo, ainda que acompanhado de um aumento da remuneração em caixa, tem sido criticado por produzir menos alinhamento entre os executivos e o grupo. 

A segunda divergência tem a ver com temores sobre uma eventual mudança no papel do Softbank junto às investidas, depois que o Softbank desativou nas últimas semanas um grupo que ajudava startups no recrutamento de pessoas e outro que ajudava em relações governamentais.

O Softbank disse ao Brazil Journal que essa mudança é apenas parte de uma realocação de equipes depois que o staff do Softbank Latin America Fund foi integrado ao do Vision Fund, e que continuará apoiando as investidas nestas duas demandas.

Passoni disse que ele e Nyatta pretendem fundar uma nova empresa de investimentos na América Latina quando o non-compete acabar.

“Quaisquer que sejam as nossas divergências, somos imensamente gratos ao Masa pela oportunidade que ele nos deu,” disse Passoni.  “Esse cara mudou a cara do VC na América Latina.  Eu mandei um email para ele dizendo isso.  Inclusive, lá na frente, mesmo que separados, esperamos poder investir juntos na região.”