A cientista potiguar Duda Franklin já se considera uma veterana em inteligência artificial.

Hoje com 27 anos, Duda começou a programar aos 14, em um curso técnico de informática. Depois se formou em engenharia biomédica e concluiu o mestrado em neuroengenharia, sempre na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. 

03 27 Duda Franklin okAgora, ela está prestes agora a colocar no mercado sua primeira empreitada comercial.

Duda é a cofundadora e CEO da Orby.co, uma startup de neurotecnologia que criou a Ortech – uma plataforma de eletroestimulação que pode ser usada para terapias de reabilitação de movimentos e alívio de dores crônicas, além de poder ser aplicada no preparo físico de atletas.

“A tecnologia funciona como uma camada de inteligência aplicada ao corpo,” Duda disse ao Brazil Journal.

O dispositivo não é invasivo nem precisa de cirurgias para ser conectado ao usuário. Os dados biomecânicos são captados por sensores atados ao corpo, e as informações são interpretadas por um software de inteligência artificial que ajusta automaticamente os parâmetros de estimulação.

A ideia da plataforma começou a amadurecer em 2021, quando a Orby.co saiu vencedora na categoria de bem-estar de um hackathon no Hacking.Rio.

De acordo com a empresa, o mercado global de dispositivos de neuromodulação somou vendas de US$ 6,3 bilhões no ano passado, e deve alcançar US$ 14 bi em 2033.

A Orby.co vai montar seus produtos em uma fábrica em Santana de Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo. A empresa aguarda a fase final de homologação e aprovação das autoridades reguladoras para iniciar a comercialização da Ortech.

A capacidade inicial de produção será de até 640 dispositivos mensais. Segundo a empresa, as intenções de compra já somam 500 kits da plataforma, num valor total de R$ 44 milhões.

“Por questões estratégicas e de confidencialidade, os nomes dos clientes ainda não podem ser divulgados,” disse Kalynda Gomes, de 24 anos, a co-fundadora e brand strategist da Orby.co.

A plataforma foi concebida para ser usada com o acompanhamento de médicos e especialistas, em centros de reabilitação de movimentos e clínicas de medicina esportiva. A tecnologia permite, por exemplo, apoiar a recuperação de um atleta no tratamento de uma lesão – ou ajudar na melhora do desempenho físico.

“A solução simplifica a jornada do paciente, ‘gamefica’ a anamnese e permite o acompanhamento em tempo real,” disse Duda. A plataforma “também atende à crescente demanda do mercado de wellness, incluindo atletas amadores que buscam melhorar parâmetros biomecânicos.”

A Orby.co já realizou duas rodadas de investimento, atraindo investidores-anjo como Ricardo Villela Marino (o chairman do Itaú Latam), Charles Krieck (chairman e CEO da KPMG Brasil e América do Sul), Guilherme Chapiewski (o vice-presidente de engenharia do LinkedIn) e Paulo Carvão (ex-CRO da IBM e pesquisador em Harvard). Chapiewski e Carvão fazem parte do conselho.

No início, a startup contou também com aportes de programas de apoio ao empreendedorismo do Sebrae-RN e outras iniciativas. E no ano passado, ganhou um prêmio de R$ 80 mil em uma disputa do  BNDES Garagem.   

As fundadoras não abrem os valores levantados até agora, mas disseram que a empresa está avaliada em US$ 40 milhões.