A família de André Esteves, o controlador do BTG Pactual, está doando R$ 200 milhões para a criação do Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli), uma faculdade sem fins lucrativos focada em computação. 

A doação vai cobrir todo o investimento para botar a escola de pé, bem como as despesas operacionais dos primeiros anos até o Inteli chegar ao breakeven — o que deve ocorrer quando a faculdade tiver 400 alunos. 

Num primeiro momento, o Inteli vai oferecer quatro graduações presenciais: engenharia da computação, engenharia de software, ciência da computação e sistemas de informação. No futuro, a ideia é oferecer também pós-graduação, ensino à distância e cursos livres, além de criar uma incubadora de startups.

As primeiras turmas — que terão até 250 alunos — estão previstas para fevereiro de 2022. Até 2025, a expectativa é chegar a mil matrículas. A escola vai ser construída no bairro do Butantã, em São Paulo. 

Esteves disse ao Brazil Journal que sua ideia é criar uma espécie de ‘MIT brasileiro’ capaz de gerar “uma transformação importante na sociedade.”

“Existe um gap enorme de formação de tecnologia no Brasil,” disse ele. “Mas, mais do que isso, há um gap qualitativo, que é formar engenheiros da computação que entendam o contexto da sociedade, que entendam a importância de crescer com sustentabilidade, de respeitar o Estado de Direito e entender que a riqueza é criada pelo trabalho.”

A criação do Inteli está sendo feita com apoio do BTG. Segundo Esteves, diversos empresários já manifestaram interesse em bancar bolsas de estudos para alunos que passarem no processo seletivo e não tiverem condições de pagar a mensalidade. 

Diferente das escolas de computação tradicionais, o Inteli quer mesclar o ensino técnico com ensinamentos sobre liderança, cidadania e empreendedorismo. Boa parte das aulas será dada por dois professores na sala de aula (um do meio acadêmico e um de mercado) e os conceitos serão ensinados com o desenvolvimento de projetos. 

O objetivo é que os alunos aprendam a buscar soluções para as ineficiências do mundo de forma prática, causando um impacto real na sociedade. 

“Queremos criar um ensino academicamente sólido e denso, mas que também seja voltado para as demandas da economia real. Mas acima de tudo queremos formar cidadãos,” disse Esteves. 

A CEO do Inteli será Maíra Habimorad, que já comandou a Cia de Talentos e até 2019 era a diretora acadêmica e de inovação do IBMEC. 

Maurício Garcia, que tem mais de 30 anos de experiência com educação e foi vp de inovação da Adtalem no Brasil, será o conselheiro acadêmico. 

Além de André e Lilian Esteves, o conselho do Inteli será composto pelo CEO do BTG, Roberto Sallouti; Arthur Lazarte, co-fundador da Wildlife Studios; Mark Maletz, da Harvard Business School; Pedro Thompson, CEO da Exame e ex-CEO da Yduqs; Silvio Meira, que fundou o Porto Digital de Recife; Ricardo Dias, da Adventures; e Sofia Esteves, a fundadora da Cia de Talentos (e sem parentesco com o fundador do BTG).