Apenas 9% dos brasileiros que se formam no ensino médio fazem algum tipo de curso profissionalizante, uma das menores taxas entre os países que fazem parte da OCDE, o grupo dos países mais avançados do mundo. 

No Chile e no México, por exemplo, esse percentual fica em torno de 30%. 

A EB Capital viu esses dados e enxergou um filão: aumentar o acesso ao ensino técnico, e ganhar dinheiro com isso.

Os gargalos do Brasil nessa área são conhecidos. De um lado, sobra mão de obra não-qualificada e que tem dificuldade em conseguir emprego; de outro, faltam profissionais especializados em áreas como tecnologia e saúde.

“A densidade de médicos por habitantes no Brasil é equivalente à de países como os Estados Unidos, mas a presença de enfermeiros e técnicos de enfermagem é muito menor, porque faltam cursos para formar esses profissionais”, disse Luciana Ribeiro, sócia da EB ao lado de Pedro Parente e Eduardo Sirotsky Melzer. 

Nos EUA, há cerca de 15 enfermeiros e técnicos de enfermagem para cada 1.000 habitantes; no Brasil, 3,7.

Com o diagnóstico de que a demanda abunda mas a oferta é escassa, a EB captou R$ 170 milhões pouco antes da pandemia para investir no setor. 

Parte dos recursos foi usada para comprar duas escolas, uma em São Paulo e outra em Mina, dando origem à Proz, uma holding para o ensino técnico. 

“Estávamos em vias de assinar os contratos quando veio a pandemia. Seguramos um pouco, mas entendemos que essa lacuna continuaria existindo e seria ainda maior quando a economia se recuperasse,” Eduardo Adrião, o CEO da Proz, disse ao Brazil Journal.

Eduardo adriaoAdrião, que foi diretor de operações escolares e de escolas integradas da Somos, diz que as grandes empresas de educação ainda estão focadas nos ensinos básico e superior – que são maiores e têm tíquete mais alto – e deixam de lado os cursos profissionalizantes.  

“A ausência de grandes competidores nos trouxe oportunidades e perspectivas de consolidação,” disse Adrião.

A Proz já abriu novas unidades das marcas que comprou e fechou o ano passado com 12 escolas, todas em São Paulo e Minas. O plano é abrir mais 18 este ano e começar a expansão para outros estados, como Paraná, Bahia e Goiás, e também para o Distrito Federal.

Além de abrir as escolas, a Proz fecha parceria com hospitais e empresas que se interessam em contratar os alunos saídos dos cursos. Segundo Luciana, cerca de 85% dos estudantes conseguem um emprego na área que escolheram após fazerem os cursos. 

“Essas parcerias são fundamentais,” disse ela. “Não queremos tirar R$ 350 dos alunos e deixá-los onde estavam antes.”