Desde que comprou o Banco Máxima — recentemente renomeado Master — há três anos, o empresário Daniel Vorcaro está emergindo como um nome cada vez mais frequente na Faria Lima.

Posicionando o Master como um misto de banco de investimento e merchant bank, Vorcaro já colocou sua placa em negócios como a compra do Fasano Itaim, uma parceria com Nelson Tanure no takeover da Alliar e na aquisição da Copel Telecom, e a recente compra da Flytour — agindo ora como advisor, ora como financiador, e ainda outras vezes como investidor de equity.

Tem sido uma adaptação rápida para o mineiro de 38 anos, até recentemente um outsider no círculo de banqueiros e cujo pai é conhecido em Belo Horizonte por grandes tacadas imobiliárias, incluindo incorporações em Nova Lima, a fronteira de crescimento da capital mineira.  

No ano passado, os Vorcaro compraram um plano de saúde e um hospital em Belo Horizonte – e ‘fliparam’ o conjunto de ativos para a Hapvida por um lucro estimado em R$ 1 bilhão. A sacada de Daniel: separados, os ativos valiam pouco, mas juntos, podiam ser a porta de entrada em Minas para a Hapvida ou a Intermédica, que não tinham presença no Estado.

A compra do banco exigiu resiliência de Daniel, incluindo visitas semanais ao Banco Central do Rio, Brasilia e São Paulo. “O antigo banco precisava de uma capitalização, mas também de um novo plano de negócios e uma nova matriz de governança,” Daniel disse ao Brazil Journal

Ao assumir o comando, Vorcaro começou a zerar a carteira de crédito corporativo — dominada por operacoes plain vanilla — e mirou em empréstimos pessoais com garantias e operações estruturadas no middle market.

O primeiro foco foi o consignado, mas numa abordagem ‘sniper’: em vez de tentar nadar em mar aberto, o Master buscou nichos específicos.  Encontrou a Credcesta, uma operação de crédito ligada a uma rede baiana de supermercados. As lojas estavam sucateadas, mas o cartão de crédito consignado tinha 15% de margem.

O dono da Credcesta, Augusto Lima, estava procurando funding junto a dois grandes bancos. Daniel fechou negócio em um dia, e Augusto virou sócio e chefe da área de varejo do Master. De lá pra cá, o banco já comprou ou montou negócios similares em vários estados, incluindo o Rio de Janeiro.

“Nosso modelo de crédito pessoal é ter uma distribuição diferenciada porque, do jeito que está o consignado hoje no mercado, o custo de distribuição engole boa parte da margem do negócio,” disse Augusto.

Para apostar numa distribuição digital, o Master comprou 50% do Jeitto, um aplicativo de crédito para pagamento de contas e recargas de celular que já abriu 1 milhão de contas e concede empréstimos com tíquetes entre R$ 150 e R$ 200. (O Master fornece o funding.)

A segunda maior vertical do Master são serviços como câmbio, administração fiduciária e gestão de recursos — que juntos já respondem por 20% da receita. (Em alguns meses, o Master já figura como o sexto maior banco em volume de câmbio.)

O banco também comprou a Kovr – a seguradora do antigo Banco Rural, que estava há cinco anos sendo administrada por um interventor – e colocou no comando o ex-CEO da BTG Seguradora, Thiago Moura.  Especializada em ramos elementares, a Kovr hoje funciona como uma seguradora ‘white label’ para outros bancos, e o Master está conversando com resseguradores internacionais a respeito da venda de uma participação minoritária.

A capacidade do Master de cavar oportunidades é reflexo da personalidade de Daniel, que sempre gostou de resolver problemas. Quando tinha 19 para 20 anos, ele prestava consultoria para um sistema de ensino usado por escolas de ensino fundamental em Minas. Quando o fundador da empresa morreu, Daniel comprou o negócio dos herdeiros e rodou o Estado para manter os clientes — padres, freiras, professores e diretores de escola — até reestruturar a operação e vendê-la para um player estratégico do sul do País.  

Antes de Daniel assumir a gestão, o Master tinha um patrimônio líquido de R$ 30 milhões e receita de R$ 180 milhões.  Em 2020, o ano da pandemia, o PL já estava em R$ 420 milhões e a receita, em R$ 1 bi. Segundo Daniel, o banco caminha para fechar 2021 com PL de R$ 700 milhões (incluindo um aumento de capital este mês) e receita de R$ 1,4 bilhão, com um retorno líquido de 26% sobre o PL médio.

Maurício Quadrado, o ex-executivo do Bradesco e ex-sócio da Corretora Planner, se associou ao Master no ano passado e hoje comanda o banco de investimentos, aprovado em novembro pelo BC. Foi Maurício quem apresentou Daniel a Nelson Tanure, que passou a investir e fazer negócios com o banco.

“O Master está fazendo operações que são menores ou complexas demais para os grandes bancos, e com mais agilidade que eles conseguem ter,” diz um outro banqueiro concorrente.