Hotéis sempre foram um negócio ingrato, com margens apertadas e baixo retorno sobre o capital investido.

No Brasil, a GP Investimentos aprendeu essa lição com a BHG, um negócio que parecia promissor quando olhado de fora, mas de execução complicada depois do check-in.

Nos EUA, os acionistas da Belmond — dona do Copacabana Palace no Rio, do Cipriani em Veneza e de outros 29 hoteis de luxo, além do lendário Orient-Express (Veneza a Londres, por 2,200 libras por pessoa) —  estão igualmente frustrados porque a ação, cotada na sexta-feira a US$ 11, não sai do lugar há quatro anos. (A empresa se chamava Orient-Express Hotels até dois anos atrás, quando mudou de nome.)

Mas um artigo positivo da Barron’s no fim de semana prevê que a ação pode dobrar de valor em cinco anos, enquanto o downside seria limitado pela qualidade dos ativos da empresa.  

Os bulls estão animados porque a empresa anunciou um plano para dobrar seu lucro até 2020.  O novo CEO da Belmond, Roeland Vos, está no cargo há apenas um ano, mas trabalha há três décadas no setor: antes de assumir a Belmond, ele era presidente das operações de Europa da Starwood Hotels & Resorts Worldwide, dona da marca Sheraton. Vos disse aos acionistas que pretende comprar ou arrendar de 15 a 20 novos hoteis, numa estratégia que mistura M&A com crescimento orgânico.

Outra razão para otimismo:  pela primeira vez, a Belmond disse que em algum momento pretende eliminar a estrutura de duas classes de ações (que nós brasileiros conhecemos tão bem), e que impedem a maioria dos acionistas de ter direito a voto. 

Isso é importante porque, nos últimos 10 anos, a Belmond já foi alvo de duas ofertas de aquisição com prêmios significativos sobre o valor de mercado, mas os acionistas controladores decidiram não vender.

Segundo a Barron’s, nas duas ofertas (em 2007 e 2012) os compradores se dispuseram a pagar 17 vezes a geração de caixa da empresa (EBITDA).  A ação hoje negocia a 11,3x o EBITDA estimado para 2017.

Os bears dirão que a Belmond vai ter que pagar caro para crescer por aquisições, e lembrarão que essa empresa não entrega o que promete já anos. 

Mas existe smart money que acredita que, dessa vez, a coisa é diferente.

Em julho, Barry Sternlicht, o ex-controlador da rede Sheraton e um dos mais respeitados investidores do ramo, anunciou ter comprado 4,9% da Belmond na Bolsa; a notícia reprecificou a ação em 20%.