Três dias depois de dizer que não havia concluído a compra de 49,9% do Diamond Mall, a Multiplan voltou atrás – pero no mucho.

A empresa de shopping centers disse ontem que vai comprar 24,95% do mall – um dos três que ela controla em Belo Horizonte – deixando ainda um quarto do empreendimento nas mãos do Clube Atlético Mineiro.

A Multiplan vai pagar R$ 170 milhões – R$ 68 milhões à vista e R$ 102 milhões em 12 parcelas mensais. A transação implica um preço de R$ 31,9 mil por m² – “um cap rate atrativo, de 11,2%”, na visão do JP Morgan e do Itaú BBA.

“A Multiplan é bem conhecida por fazer muito jogo duro e só fecha um deal se estiver muito bom para ela,” disse uma fonte que já fez vários negócios com a empresa.

A compra da participação é resultado do exercício de um direito de preferência – e foi um acordo tumultuado.

Em agosto passado, o Atlético recebeu três propostas pela sua participação – a melhor delas da Ancar Ivanhoe, uma holding de 25 shoppings, que se propôs a comprar 100% da posição do Atlético.

A Multiplan, no entanto, disse que exerceria seu direito de preferência – mas depois começou a empurrar para frente o fechamento do negócio.

Depois que a empresa anunciou segunda-feira que não concluiria a transação, o Atlético explodiu em revolta. Em conversas com a Multiplan que envolveram o CEO José Isaac Peres, executivos do clube ameaçaram ir à imprensa explicar o que estava acontecendo e buscar uma reparação na Justiça.

“A Multiplan não sabe no que está se metendo. Vai deixar a massa de torcedores muito p***,” disse uma fonte ligada ao Galo. “Muitos torcedores são consumidores dos shoppings deles.”

A Multiplan – que concebeu e incorporou o shopping – já havia comprado os outros 50,1% em 2017.

A queda de braço com a Multiplan vem num momento de fragilidade financeira do Atlético, cuja dívida chegava a R$ 1,3 bilhão no balanço de 2021. Três empresários mineiros – Rubens Menin, da MRV, Ricardo Guimarães, do Banco BMG, e Renato Salvador, da Mater Dei – têm apoiado o clube financeiramente.

O Atlético tinha ainda um outro complicador na busca por outros interessados: por um acordo firmado à época da incorporação do shopping, a Multiplan tem o direito de deter 90% do resultado do DiamondMall até 2026 e 100% até 2030.

“Quem iria se interessar em um ativo que vai ter zero de receita entre 2026 e 2030?”, disse um analista do sellside. “A Multiplan tinha o negócio na mão.”

O DiamondMall foi o quinto maior shopping da Multiplan em vendas por metro quadrado no terceiro trimestre de 2022.