Conhecido pela franqueza de suas opiniões, o CEO da Palantir criticou duramente o modelo de negócios da OpenAI e da Anthropic – e disse que ferramentas de AI de código aberto podem ser a melhor solução para empresas e governos reduzirem custos e manter controle sobre os dados. 

Em uma entrevista à CNBC, Alex Karp condenou a cobrança pelo uso de tokens – as unidades de informação dos sistemas de AI. Conforme os modelos ficam mais poderosos, eles consomem mais tokens e mais capacidade computacional, jogando os custos nas alturas. 

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De acordo com Karp, Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, estão exagerando o hype de suas ferramentas e overselling o que sua tecnologia é capaz de entregar – e não estão entregando aos clientes o valor prometido. 

“A maneira geral como essas coisas foram vendidas… E estamos falando de pessoas como o Sam e o Dario,” afirmou. “Não há nada mais divertido do que debater com o Dario em particular… Então, não estou querendo criticá-los, mas algo deu completamente errado.” 

Dizendo que não queria criticar – mas listando uma série de críticas – Karp fez ressalvas também à maneira como essas grandes empresas de AI armazenam as informações dos clientes. 

“Vou dizer uma coisa: neste país, em todas as empresas com as quais trabalho, as pessoas estão furiosas. Elas pensam: ‘Estou pagando por tokens que não geram valor algum’. Essas pessoas estão roubando os parâmetros e o alfa do meu negócio,” disse o CEO da Palantir. 

De acordo com Karp, é possível entregar sistemas de AI produzidos a partir de código aberto com desempenho similar aos melhores modelos fechados, e com a vantagem de os clientes terem controle total sobre os dados proprietários – o ‘alfa’ mencionado pelo executivo – e sobre os parâmetros de calibragem das ferramentas. 

Na entrevista, Karp defendeu o modelo da Palantir de trabalhar com camadas de dados e sistemas customizados para seus clientes – sejam empresas, serviços públicos ou forças de segurança. 

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“Para torná-los valiosos em ambientes corporativos – seja em cenários de campo de batalha, setores regulamentados ou na indústria –, é necessário contar com o que se chama de camada de aplicação,” afirmou. “Nós desenvolvemos um recurso chamado ‘ontologia’, algo que agora todos estão copiando, que, na prática, atua sobre o modelo de linguagem de grande porte [LLM], tornando-o seguro, útil e preciso.” 

Segundo Karp, é seguro porque não interfere nos dados proprietários e impede que o modelo armazene dados em cache ou “replique o funcionamento” do negócio. “Não transfere sua propriedade intelectual, como estratégias de combate, dados sigilosos ou ultrassecretos, ou informações de contextos clínicos.” 

Ainda de acordo com Karp, é preciso “reconstruir a confiança” no desenvolvimento da tecnologia. Para ele, “a confiança surgirá quando todos puderem fazer e responder perguntas básicas: “De quem são os dados? Onde eles ficam armazenados em cache? Os prompts são seguros?” 

Karp sugeriu que, se os modelos da OpenAI e da Anthropic fossem tão valiosos como dizem as empresas, elas não deveriam estar cobrando por tokens, e sim pedindo participação acionária nos negócios dos clientes. 

“Não precisamos fazer um overhype a ponto de levar à criação de um imposto sobre fortuna que vai acabar punindo todos nós,” afirmou, em referência à reação política ao avanço da AI. 

“Estão criando um imposto sobre a riqueza que não ajuda os pobres. Ele apenas nos pune, começando pelos bilionários. Mas todas as pessoas nesta mesa acabarão pagando um imposto sobre a riqueza, apenas para nos punir,” afirmou. “E o motivo é que esses modelos foram promovidos de forma totalmente irresponsável e exagerada.”