O Morgan Stanley acha que chegou a hora do investidor reduzir a exposição a commodities em seu portfólio Brasil e aumentar a aposta em ações ligadas ao crescimento doméstico. 

“Não queremos nos demorar em nossa posição comprada em commodities porque as ações de crescimento tendem a superar as de valor depois da primeira alta de juros do Fed; há risco de inflação mais alta nos EUA; há risco de crescimento global mais baixo graças ao mini-choque do petróleo,”  escreveram os analistas Guilherme Paiva, Juan Ayala e Julia Nogueira.

Para eles, no médio prazo os ativos de risco brasileiros devem se beneficiar da adoção de uma política econômica relativamente ortodoxa pelo próximo presidente, bem como do início de um novo ciclo de corte de juros após as eleições.

O banco disse que resume sua tese a dois Cs: Clareza (política) e Cortes (de juros).

Os analistas estão recomendando B3, Bradesco e Itaú como ‘teses de valor’; Iguatemi, Localiza e BTG como papeis para se beneficiar do crescimento doméstico e da inversão da curva de juros; e Hapvida, Locaweb, Sequoia, Totvs e XP como empresas de ‘crescimento secular’. 

Ao mesmo tempo, estão ‘underweight’ em energia, bebidas, petroquímica e aço. 

O Morgan Stanley também adicionou a ação do Assaí ao portfólio Brasil como forma de aumentar sua exposição a empresas domésticas defensivas – que tendem a resistir melhor se a inflação subir mais que o esperado ou se o PIB crescer menos como resultado de eventos geopolíticos.

Andrew Ruben, analista de varejo do Morgan Stanley, tem um ‘overweight’ no Assaí pois vê espaço para o segmento de atacarejo continuar a ganhar share do varejo tradicional de alimentos, já que o consumidor está cada vez mais sensível a preço.

A ação do Assaí hoje negocia a 16,3x lucro para 2022.