O Grupo Mateus reportou um forte crescimento na receita no primeiro tri, mas as margens continuam sob pressão. 

No call de comentários do resultado, a companhia disse que a tendência continua: as vendas em abril e na primeira semana de maio seguiram muito fortes.

A ação subiu 7,4% para R$ 4,65 em linha com um rebound do mercado – e depois do papel atingir a mínima histórica de R$ 4,33 ontem. Desde o IPO, o Mateus acumula queda de 48%.  

A receita líquida do Mateus foi de R$ 5,2 bilhões, uma alta de 36% em relação ao primeiro tri de 2021.  

O resultado foi  impulsionado pela abertura de 16 lojas de janeiro a março; e também pela maturação das lojas abertas anteriormente – foram 49 unidades inauguradas nos últimos 12 meses. 

As receitas ‘mesmas lojas’ também surpreenderam positivamente os analistas, com alta de 12,7% – a melhor performance entre as varejistas de alimentos, disseram os analistas do Itaú. 

Já a margem bruta caiu 1,5 ponto percentual para 22,3%, enquanto a margem EBITDA recuou meio ponto para 5,7%. 

As margens estão pressionadas pelas promoções que o grupo vem fazendo para preservar o tráfego nas lojas e também pelo ritmo acelerado de abertura de novas lojas. 

Mas os analistas disseram que o Mateus conseguiu entregar um melhor controle nas despesas, o que está refletido na queda em menor intensidade de sua margem EBITDA. 

Na teleconferência com o mercado, o Mateus disse esperar que a margem bruta se mantenha no patamar de 22% por conta do cenário macro mais desafiador. 

Mas disse também que, a partir dos próximos trimestres, o EBITDA começará a capturar mais os efeitos da maturação das lojas inauguradas no último ano, o que pode aumentar a lucratividade da empresa.  O grupo registrou EBITDA de R$ 262 milhões, com alta de 25,2%. 

No Credit Suisse, a analista Marcella Recchia disse estar cada vez mais cautelosa com a deterioração das margens, e perguntou, no título do relatório, se o crescimento do Mateus é  “a qualquer custo.” 

No buyside, alguns analistas destacaram que o Mateus conseguiu reduzir o ritmo do consumo de caixa, que ficou em cerca de R$ 260 milhões no primeiro tri comparado a R$ 530 milhões no trimestre anterior. 

“A queima de caixa é natural numa empresa que quer crescer 30% em área,” disse um analista que destacou o forte crescimento de receita e lucro. O estoque também caiu de 12 para 6 dias.