O maior acionista da rede de restaurantes IMC quer retirar o ‘poison pill’ do estatuto da empresa. 

A UV Gestora, que tem cerca de 27% do capital da companhia, pediu hoje à dona das marcas Frango Assado, Viena e KFC uma assembleia de acionistas para retirar do estatuto a provisão que obriga o acionista que atingir 30% da empresa a fazer uma oferta por toda a companhia. 

O estatuto da IMC diz hoje que o acionista que atingir essa participação precisa lançar a oferta em no máximo 10 dias a um preço que seja, no mínimo, equivalente ao maior valor pago nas aquisições feitas nos últimos seis meses. 

A UV é a gestora de seis fundos que investem na IMC e têm como cotistas os herdeiros de Gastão Vidigal, do banco Mercantil; e o Faro Capital, o family office da família Rodas, que fez fortuna no setor agrícola (e nada tem a ver com a Faros Investimentos, o AAI ligado à XP). 

A UV começou a investir na IMC em 2015, e atingiu 20,3% da companhia em dezembro de 2020. A partir daí, liderou um movimento para trocar a gestão. 

Em abril passado, o ex-CEO da Popeyes Louisiana Kitchen, Alexandre Santoro, assumiu o comando, substituindo Newton Maia, que ficara quatro anos no cargo e havia sido indicado pela Advent, que já foi um acionista relevante da IMC. 

A UV tem duas cadeiras no conselho, uma delas ocupada por Lucas Rodas – o fundador da Faro Capital e genro de Carlos Alberto Sicupira –  que já havia sido conselheiro da IMC na gestão Advent.

Ao longo do ano passado, a UV continuou aumentando sua posição na companhia. 

Segundo fontes próximas à UV, apesar de já estarem dando as cartas na gestão, esse grupo de investidores quer aumentar a aposta na empresa porque acredita que a ação hoje está muito barata e, no longo prazo, o investimento terá um retorno relevante.  

No ano passado, a ação da IMC acumulou queda de 42%. Por volta do meio-dia, a ação subia 5% cotada a R$ 2,79  – um nível ainda próximo do patamar do início da pandemia, em 2020. 

Na carta encaminhada à IMC, a UV diz que o pedido de alteração do estatuto reforça sua confiança no negócio e na atual gestão, e também afirma que não tem uma “participação alvo” a ser alcançada.

A gestora diz que entende os desafios de curto prazo do negócio, mas acredita que a IMC vai se “beneficiar da existência de um acionista de longo prazo com participação relevante no capital, que apoie a administração no contexto atual das suas operações, em especial levando-se em consideração os desafios gerados pela covid.”

A IMC teve de fechar restaurantes na pandemia e renegociar as condições de sua dívida com credores. Na última divulgação de resultados, o terceiro trimestre de 2021, a empresa reportou o melhor desempenho em vendas de sua história, e um crescimento nas vendas ‘mesmas lojas’ de 12% – acima dos níveis pré-pandemia.  

Segundo as pessoas próximas ao assunto, a UV não espera que outros acionistas relevantes se oponham à alteração do estatuto; o maior deles é a família Wizard Martins, que tem 8,9% da empresa.

A IMC vale R$ 790 milhões na B3.