A Magazine Luiza e o Mercado Livre acabam de anunciar uma parceria para a venda de produtos 1P do Magalu no marketplace do MELI.

O acordo é um ganha-ganha. Para o Magalu, deve garantir um volume incremental com baixa canibalização e margens atraentes. Já o MELI terá acesso a um sortimento de produtos – como eletrodomésticos e móveis – em que ainda tinha baixa penetração e dificuldade de fazer a logística.

O sortimento inicial a ser vendido no Mercado Livre é de 28 mil itens – e inclui ainda produtos de beleza da Época Cosméticos e eletrônicos e games da KaBuM.

A parceria começa hoje, com a abertura de uma loja oficial da Magalu no aplicativo do Mercado Livre.

Frederico Trajano

O CEO Fred Trajano disse que a parceria endereça um dos pilares estratégicos do Magalu para seu novo ciclo: voltar a crescer no online, mas com rentabilidade. 

“Temos mais plataformas operando no Brasil, a audiência está muito mais pulverizada e o CAC está crescendo. Estávamos vendo mais dificuldade de crescer no online do que no offline com rentabilidade,” Fred disse ao Brazil Journal

O CEO disse que a parceria com o Mercado Livre ajuda nesse sentido porque a margem de contribuição da parceria será positiva para a companhia. 

Segundo ele, a margem do contrato com o MELI é superior à da venda que o Magalu faz usando mídia paga — mas pior do que a venda do canal orgânico (quando o consumidor entra direto no app ou site do Magalu). 

“Não precisamos buscar volume a qualquer custo, então sempre buscamos uma lógica positiva do ponto de vista de margem de contribuição,” disse ele. “E vemos uma canibalização muito baixa. A audiência do MELI é bem maior do que a nossa, então estimamos que três quartos dos clientes que comprarem nossos produtos no MELI já não seriam clientes do Magalu.”

Essa é a terceira parceria do tipo que o Magalu fecha nos últimos dois anos. Em junho de 2024, a companhia fez uma parceria semelhante com o AliExpress, com a diferença de que o ecommerce chinês recebeu como contrapartida a possibilidade de vender parte de seus produtos no marketplace da Magalu.

Mais recentemente, em junho deste ano, a companhia fechou uma parceria com a Amazon Brasil para vender um catálogo de 12 mil produtos 1P no marketplace da gigante americana.

Fred disse que as parcerias têm a ver com uma mudança na estratégia de 3P do Magalu. 

“A gente desistiu de ser um marketplace generalista. Acreditamos que vai ter espaço no ecommerce brasileiro para alguns poucos generalistas, e o MELI está muito bem posicionado nisso,” disse Fred.

Agora, o Magalu está apostando nos marketplaces de categoria, como a Netshoes, hiper especializada em esportes, e o KaBuM, especializado em games. “Tem gente que prefere comprar num lugar só com esses produtos, e com filtros específicos,” disse Fred.

Mercado Livre

Já para o Mercado Livre, a parceria trará maior penetração em categorias em que ele ainda não é tão forte, além de lhe dar acesso à logística do Magalu.

“É uma parceria muito complementar. O MELI nasceu com a venda de produtos pequenos, e nossa logística está construída ao redor de produtos pequenos. Nosso fulfillment, por exemplo, tem corredores e prateleiras com caixas pequenas em que não cabem uma geladeira, televisores ou cooktops,” Fernando Yunes, o CEO do Mercado Livre Brasil, disse ao Brazil Journal.

Além da parceria atual, as duas empresas estão em negociações para um outro acordo envolvendo o uso das mais de 1.000 lojas do Magalu como pontos de coleta e troca para as vendas do Mercado Livre.

Este outro acordo ainda está sendo desenhado e pode ser anunciado nos próximos meses.