A Telecom Italia – que controla a TIM Brasil com 68% do capital – tem um novo dono. 

A companhia anunciou que a Poste Italiane – a estatal italiana que opera os serviços postais do país – adquiriu seu controle com 66,6% do capital, numa transação que já estava sendo negociada pelo menos desde março

A Poste Italiane já tinha cerca de 30% do capital antes da transação, e aumentou sua fatia com uma oferta pública que avaliou a Telecom Italia com um prêmio de cerca de 10% em relação ao fechamento do pregão anterior ao anúncio da oferta. 

A ideia da Poste Italiane é tirar a Telecom Italia da Bolsa. Para isso, ela abriu hoje uma nova janela de compra de ações, permitindo aos acionistas que ainda não aderiram à oferta vender suas ações nas mesmas condições entre os dias 21 e 25 de setembro. O objetivo é chegar a pelo menos 90% do capital, o que já permitiria fechar o capital.

Um analista que cobre a TIM Brasil disse ao Brazil Journal que, do ponto de vista prático, não muda muita coisa para a companhia – pelo menos não de imediato.

“A grande questão é saber qual vai ser o direcionamento estratégico desse novo controlador a médio e longo prazo,” disse o analista.

“O importante é entender se para ele faz sentido continuar com um ativo no Brasil que não tem sinergia nenhuma com as operações italianas. E, se ele decidir seguir com o ativo, qual vai ser a abordagem? Ele vai privilegiar geração de caixa em detrimento de crescimento ou vai fazer o que precisa ser feito?”

Segundo esse analista, a grande discussão estratégica na TIM Brasil hoje tem relação com a entrada em fibra óptica.

“Em grande medida, há um esgotamento do modelo de negócios de uma empresa puramente móvel. A TIM Brasil sabe disso, e eles mesmo tem falado que estão olhando para fibra óptica. Mas para fazer esse movimento, eles teriam que comprar ativos, o que demandaria investimentos.”

No Brasil, especula-se que uma transação que faria sentido estratégico seria uma fusão da TIM Brasil com a V.tal, controlada pelo BTG.

Mas há ainda incerteza sobre o timing de tomada de decisão do novo controlador. “Pode ser que eles não queiram fazer nada grande de imediato. Que precisem de um tempo de maturação,” disse o analista. 

A transação na Itália vem num momento em que os serviços de telecom têm sido vistos com um ativo estratégico pelos governos europeus, cada vez mais preocupados em proteger sua soberania de dados. 

A combinação das duas empresas vai criar uma gigante com receita combinada de € 27 bilhões e lucro operacional de € 5 bilhões. A nova empresa terá mais de 150 mil funcionários. 

A transação também trará sinergias relevantes, nas contas da Poste Italiane. A empresa estima € 700 milhões por ano de ganhos antes de impostos com a fusão, dos quais € 500 milhões viriam de cortes de custos, incluindo um menor custo da dívida. 

A Telecom Italia é hoje a terceira maior provedora de serviços de banda larga e telefonia móvel da Itália, em número de clientes, depois da Vodafone e da WindTre. No Brasil, onde controla a TIM Brasil, ela também está na terceira posição, atrás da Vivo e Claro.