A MadeiraMadeira acaba de inaugurar um centro tecnológico que vai fortalecer sua vertical de marcas próprias – reduzindo drasticamente o time to market dos novos produtos e permitindo aumentar o número de lançamentos de móveis por mês. 

O centro tecnológico – que fica dentro de um campus do Senai, em Curitiba – é composto por um laboratório de testes com padrões internacionais, estúdios de cocriação, uma mini-indústria de fabricação dos protótipos, e estúdios de vídeo e fotografia. 

Na prática, o centro vai permitir à MadeiraMadeira profissionalizar um trabalho que até agora era feito (de forma pouco eficiente) dentro dos sete polos industriais que fornecem para a companhia. 

“Quando a gente queria testar um produto novo, nossos engenheiros tinham que ir várias vezes de avião até os polos. Às vezes, tínhamos que parar uma máquina de produção em série por duas, três horas para conseguir testar um móvel novo,” Daniel Scandian, o fundador da MadeiraMadeira, disse ao Brazil Journal. “Era um atrito gigantesco.”

Segundo ele, o centro tecnológico vai reduzir o time to market dos novos produtos de seis meses para um mês e aumentar os lançamentos mensais de 70 para 200.

“Vamos poder acompanhar as tendências do mercado e as necessidades dos clientes de forma muito mais ágil e assertiva,” disse Santiago Antoranz, o vp de desenvolvimento de produto da MadeiraMadeira e um ex-executivo da Ikea.

Ainda que a comparação não seja perfeita, a MadeiraMadeira está tentando replicar no varejo de móveis a agilidade do fast fashion, que permite a varejistas de moda como a Zara lançar coleções em poucas semanas. 

O novo impulso em marcas próprias vem no momento em que a MadeiraMadeira se prepara para um IPO nos Estados Unidos e um ano depois de levantar US$ 190 milhões numa rodada que transformou ela em unicórnio.

A empresa já fez o filing na SEC e pretendia lançar a oferta já no ano passado, mas adiou os planos com a piora do mercado.

A MadeiraMadeira já tem 2.000 produtos de marca própria, que respondem por cerca de 25% do faturamento da empresa. O plano é chegar a pelo menos 3.500 até o final do ano e ampliar também a participação desses produtos na receita. 

A estratégia passa também pela abertura de guide shops, lojas-modelo onde boa parte dos produtos à venda (cerca de 70%) são da Cabecasa, a marca própria da empresa. No futuro, a ideia é que 100% dos produtos dessas lojas sejam próprios. 

A MadeiraMadeira já tem 110 guide shops, quase todos abertos no ano passado. A empresa ainda não definiu o número de aberturas para 2022.