O Governo praticamente dobrou os preços-teto para projetos de termelétricas a gás no leilão de capacidade de energia agendado para março, após empresas e analistas alertarem que a licitação poderia “dar vazio.”
Para a recontratação de usinas existentes, o teto passou de R$ 1,12 milhão por megawatt.ano para R$ 2,25 milhões. Para novos projetos, o aumento foi de mais de 80%, de R$ 1,6 milhão por MW. ano para R$ 2,9 milhões.
Foi uma mudança significativa num período de dois dias – os preços haviam sido anunciados originalmente na terça-feira. Desde então, várias empresas procuraram o Ministério de Minas e Energia.
O Ministro Alexandre Silveira disse logo na quarta-feira, em um evento em São Paulo, que a pasta trabalhava para revisar os valores.

“Ficou bom,” um analista que cobre o setor elétrico disse sobre os novos preços.
Pela ótica das empresas de energia, “é suficiente para gerar oferta e competição,” disse um chefe de research.
O leilão de março visa contratar termelétricas e projetos de expansão de hidrelétricas que serão chamados a gerar energia em momentos de pico de consumo, para evitar blecautes.
A expectativa no mercado é de uma grande demanda no leilão, que poderia chegar a 20 gigawatts em contratação total, um montante que as hidrelétricas cadastradas para o certame não conseguiriam atender sozinhas. Se a licitação fracassasse, o Governo correria um risco real de blecautes nos momentos de ponta de demanda já a partir do final deste ano, segundo técnicos do setor.
“O cenário de preços que o Ministério enviou para o leilão (originalmente) me parece incompatível com a urgência apontada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico,” disse um ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, Edvaldo Santana. Devem participar do certame empresas como a Eneva, Petrobras e Âmbar Energia, da J&F Investimentos.
A ação da Eneva desabou quando os valores para o leilão foram divulgados, na terça-feira. Hoje, o papel subia quase 8% na abertura do pregão para R$ 21,40. Antes do anúncio original, o papel negociava a R$ 22.
Os preços inicialmente anunciados pelo Governo eram praticamente uma repetição daqueles vistos em um leilão anterior, de 2021, corrigidos pela inflação.
Na visão das empresas, isso não seria suficiente para viabilizar projetos, uma vez que os custos dispararam recentemente com a forte demanda gerada pela AI e o aquecimento do setor de geração a gás.
Os preços de turbinas, motores e equipamentos essenciais para novos projetos estão num all-time high, Adriano Pires notou num artigo no Brazil Journal.
A diretoria da ANEEL aprovou nesta manhã a atualização do edital da licitação com os novos preços.
“Os parâmetros do leilão são de competência exclusiva do Ministério,” disse o diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa. “O leilão de geração tem uma dinâmica bastante complexa, muito atrelada ao mercado internacional, questões políticas globais. De alguma forma (o cenário) deve ter sensibilizado o Ministério em sua decisão de alterar os preços.”











