A Lupo, que aguarda uma janela de mercado para fazer seu IPO, acaba de comprar uma fábrica em Maracanaú, no Ceará – uma aquisição que permitirá à centenária marca de meias e roupas íntimas verticalizar parte da produção, reduzindo custos e turbinando as margens.

A fábrica – que pertencia à Cotece – tem capacidade para tecer 600 toneladas de malhas por mês. 

Até agora, para fabricar suas cuecas, pijamas e camisetas, a Lupo comprava malhas de vários fornecedores diferentes. Com a aquisição, ela espera produzir internamente toda a malha necessária para sua operação. 

Isso deve reduzir os custos da produção, o que poderá se refletir num aumento da margem da companhia ou num preço menor ao consumidor, aumentando o volume de vendas.

“Também pretendemos adicionar mais tecnologia às malhas usando fios especiais, por exemplo,” a CEO Liliana Aufiero disse ao Brazil Journal.

Segundo ela, a fábrica de Maracanaú estava rodando muito aquém de sua capacidade máxima porque o antigo dono estava se dedicando mais a seus negócios no setor imobiliário. “Estamos comprando basicamente o maquinário e toda a infraestrutura pronta,” disse ela. “Se fossemos construir uma nova fábrica assim do zero levaria muito tempo.”

A Lupo tem outras três fábricas: uma em sua cidade natal de Araraquara, em São Paulo, e outras duas no Nordeste, em Itabuna, na Bahia, e em Pacatuba, no Ceará, próxima da fábrica adquirida hoje. 

A Lupo faturou R$ 1,1 bilhão nos nove primeiros meses do ano passado, 22,4% acima do ano anterior. O EBITDA nesse período foi de R$ 230 milhões, e o lucro líquido de R$ 172 milhões, uma margem de 15,5%. 

No final de 2021, a Lupo tentou fazer um IPO para financiar seu crescimento com foco na aquisição de novas marcas – mas acabou desistindo quando o mercado fechou. 

Segundo Liliana, a companhia continua interessada em abrir o capital e está com tudo pronto para isso. “Estamos no compasso de espera, de plantão, esperando o mercado abrir,” disse ela.

O assessor jurídico da Lupo foi o Demarest Advogados.

A Cotece foi assessorada pelo Pinheiro Neto.

Não houve assessores financeiros.