A Lojas Americanas e a B2W anunciaram uma potencial fusão entre as duas companhias, colocando no mesmo CNPJ as 1.700 lojas físicas e uma das maiores empresas brasileiras de ecommerce.

A Lojas Americanas (LAME) é dona de 62% da BTOW, e ambas têm os mesmos controladores: Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles.

Não há detalhes sobre estrutura nem sobre o timing da transação. A companhia vai formar um comitê independente para estudar o assunto e bancos para sugerir possíveis estruturas. 

Um dos desenhos mais prováveis é a B2W incorporar a LAME, o que permitiria à empresa combinada aproveitar uma tonelada de créditos fiscais acumulados ao longo de anos de prejuízo da B2W.

A ideia já era contemplada pelos controladores há pelo menos um ano e meio. O Lazard está assessorando a LAME, e a B2W está sendo assessorada pelo BTG Pactual. 

A transação tem méritos estratégicos claros: cria uma plataforma multicanal que consolida a base de dados de clientes de ambas as empresas, aumentando o potencial de monetização e fidelização — além de otimizar as estratégias comerciais, de logística, marketing e precificação.

Há muito tempo objeto de especulação pelo mercado, a fusão também eliminará dúvidas sobre transações com partes relacionadas.

A notícia vem num momento em que o negócio de varejo físico da LAME negocia a 13x o lucro estimado para 2021, bem abaixo do múltiplo histórico da empresa, que gira ao redor de 25x. 

Analistas esperam que a B2W — capitalizada por um follow-on no ano passado e com caixa líquido grande — volte a apresentar lucro este ano pela primeira vez em muito tempo. 

A B2W negocia a 1,2x vez seu GMV estimado para 2021, contra 2,9x do Magalu e 3,5x do Mercado Livre.

Na B3, a LAME fechou nesta sexta-feira valendo R$ 45 bilhões; a B2W sozinha, R$ 49,6 bilhões.