A Lojas Americanas está preparando uma oferta de ações para levantar fundos para uma aquisição, duas fontes a par dos planos disseram ao Brazil Journal. 
 
A empresa contratou o Credit Suisse para organizar a oferta e está pronta para ir a mercado.
 
A Americanas já havia sinalizado a oferta em dezembro, quando convocou uma assembleia de acionistas para aumentar o seu capital autorizado de 1,5 bilhão de ações ordinárias e preferenciais para 2 bilhões de ações. 
 
Na época, o management disse a investidores que a mudança visava dar flexibilidade à companhia no momento em que ela considera oportunidades de crescimento via aquisição.  Como se sabe, a empresa manifestou interesse na BR Distribuidora e é considerada uma compradora lógica para a Via Varejo.
 
Mas o aumento de capital também pode servir a outro propósito: preparar a Americanas para injetar mais capital na B2W, sua controlada e dona do Submarino.com.

Muitos investidores acham que uma nova capitalização na B2W não deve ser descartada, mas o último aporte — a R$10 por ação da B2W, em meados do ano passado — já foi um ‘tough sell‘.  A B2W levantou R$ 551 milhões, dos quais R$ 458 milhões foram aportados pela Americanas e apenas R$ 93 milhões pelo mercado. A transação fez a participação da Americanas na B2W subir de 55% para 62%.
 
“Quando anunciaram aquela oferta, o papel estava perto de R$12, eles botaram o preço a R$10 e mesmo assim, o mercado não quis colocar dinheiro,” diz um gestor.
 
Ontem, o analista Guilherme Assis, da Brasil Plural, reduziu seu preço-alvo de Americanas de R$22 para R$18, dizendo que a empresa não deve conseguir entregar as 800 novas lojas previstas para o período de 2015-2019.  Assis agora projeta apenas 535 novas lojas no período.
 
Como a Americanas tem duas classes de ações — as ONs, menos líquidas e 62% delas nas mãos dos controladores; e as PNs, 65% das quais estão nas mãos do mercado — há várias possibilidades de desenho para um aumento de capital.
 
Os controladores — Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — podem concentrar o aumento de capital nas PNs, diluindo mais os minoritários, ou estabelecer que o aumento se dará proporcionalmente nas duas classes de ações.
 
Não se sabe ainda se a oferta será estruturada como um aumento de capital privado, em que os controladores se comprometem a injetar capital e podem ser acompanhados pelos minoritários na proporção de sua participação, ou se se trata de uma oferta de ações sem participação ostensiva dos controladores.
 
O estatuto social da Americanas limita as ações sem direito a voto (LAME4) a dois terços do capital total da empresa. Hoje, as PNs representam 62,8% do capital total, o que significa que há espaço para aumentar o número de PNs em circulação numa proporção de mais de 3 PNs para cada ON. 
 
No exercício feito por Assis, do Brasil Plural, a Americanas poderia emitir até 453 milhões de LAME4 se emitir 136 milhões de ações com direito a voto na (LAME3), o que daria um aumento de capital total de R$ 9,4 bilhões — assumindo o preço de fechamento (recente) de R$ 16,73 para LAME4 e R$ 13,15 para LAME3.  Segundo Assis, se a empresa emitir somente ações PN, a oferta seria limitada a 180 milhões de ações, ou R$ 3 bilhões.
 
A Americanas vale hoje cerca de R$ 21 bilhões na Bovespa e negocia a 32 vezes o lucro esperado para este ano.