Embrenhada em uma crise sem precedentes, a Nike anunciou que Alexandre Arnault – um dos filhos de Bernard, o controlador da LVMH, e número 2 da Moët Hennessy – vai ocupar uma cadeira no board da companhia.

Segundo executivos da produtora de materiais esportivos, o francês de 34 anos já provou que sabe conduzir marcas icônicas em um caminho de inovação e crescimento de longo prazo, e sua indicação faz parte de um esforço para renovar o conselho e reformular a operação da empresa.

Formado pelo instituto politécnico Télécom Paris, Alexandre liderou a aquisição da Rimowa pela LVMH em 2016 e foi CEO da marca de malas até 2020. Ali, encantou o público jovem com colaborações com marcas hypadas como Supreme e Off-White.

Depois atuou por outros quatro anos como vp de produto da Tiffany & Co., onde colaborou com a própria Nike; e, desde fevereiro de 2025, ocupa o posto de vice-presidente executivo da Moët Hennessy.

Em meio a um conflito sucessório entre os Arnault, o que Alexandre queria mesmo, segundo o Le Monde, era ter assumido a Dior, mas sua irmã mais velha Delphine acabou ficando com o posto.

A verdadeira disputa, no entanto, é pela cadeira de Bernard. 

Além do board da LVMH, do qual faz parte, Alexandre já serviu nos boards do Carrefour, Birkenstock e Moncler.

“Sou fã da Nike não apenas pelos seus produtos, mas porque representa esporte, desempenho, inovação, criatividade e a busca constante por superar o que parece possível,” Alexandre escreveu no LinkedIn. “A marca esteve comigo em inúmeros quilômetros, corridas e conquistas pessoais, o que torna a oportunidade de contribuir para o seu próximo capítulo especialmente significativa.” 

Essa contribuição deve ser concreta, talvez algo nos moldes das colaborações entre marcas que Alexandre já comandou nas empresas do pai.

“Imagino que a Nike só faria um movimento como esse se houvesse algum benefício. Não é como se a empresa precisasse de mais conselheiros,” David Swartz, um analista da Morningstar, disse à revista Fortune. “Na perspectiva de Alexandre, adquirir experiência no conselho da Nike poderia ajudar no seu futuro na LVMH.”

Com vendas digitais e físicas em queda e perdendo mercado para marcas como a New Balance, a Nike tem buscado reconstruir sua relação com varejistas, consumidores e atletas – com pouco sucesso até agora.

A ação recua 50% em um ano e 80% desde o pico em 2021. A empresa vale US$ 53 bilhões na Bolsa.

Nesta sexta, a empresa americana sofreu mais um baque: Kylian Mbappé, um dos melhores futebolistas do mundo, deixou a marca para ajudar a criar uma divisão de futebol para a suíça On.