O olist — uma plataforma que ajuda pequenos lojistas a venderem na internet — acaba de levantar R$ 310 milhões para financiar uma estratégia agressiva de aquisições.

A rodada Série D foi liderada pelo Softbank, que já havia investido R$ 190 milhões na empresa no final do ano passado. 

Outros investidores incluem a Valor Capital; a Península Participações; a VELT Partners; a FJ Labs, de Fabrice Grinda, o cofundador da OLX; e Kevin Efrusy, um dos primeiros investidores do Facebook.

A capitalização é a quinta desde a fundação do olist e deve cobrir as necessidades de caixa por três anos. 

O valuation da rodada não foi revelado, mas a diluição dos atuais acionistas foi pequena, Tiago Dalvi, o fundador, disse ao Brazil Journal.

Fundado em 2015, o olist funciona como uma camada de inteligência entre os pequenos lojistas e os marketplaces, permitindo que eles sejam melhor ranqueados nas buscas e compitam em condições mais justas com os grandes vendedores. 

Quando um lojista se cadastra no olist, ele tomba seu inventário na plataforma, que sugere o melhor preço de venda para cada produto. A partir de então, seu estoque começa a ser vendido dentro do olist store, a loja própria da empresa. Quando uma venda é feita, é o olist que faz o fulfillment, coletando o produto na loja do cliente e entregando na casa do consumidor. 

Em outras palavras: o olist store — a maior loja própria em marketplaces como Mercado Livre e B2W — é como se fosse a loja-âncora de departamento dentro de um shopping, onde se vendem produtos de vários pequenos lojistas.

O olist tem mais de 90 mil lojistas cadastrados: parte deles paga um valor fixo mensal para usar a plataforma. O olist também fica com um take rate sobre as vendas.

Mais de 90% do GMV vem dos marketplaces, mas o olist está trabalhando para se tornar uma plataforma que gera vendas também por outros canais. 

Recentemente, por exemplo, lançou uma ferramenta para que pequenos lojistas possam criar seus próprios ecommerces (o olist shops); e acaba de comprar a Clickspace, uma solução de ‘social commerce’ que já tem integrações com as principais redes sociais (do Instagram ao Facebook). 

A capitalização vai ser usada para aquisições principalmente nas áreas de logística e serviços financeiros. Segundo Tiago, o olist está de olho em empresas que façam ‘last mile’, ‘clique e retire’ ou ‘fulfillment’, bem como companhias de processamento de pagamentos, antecipação de recebíveis, factoring e wallets. 

O olist nasceu de um longo processo de ‘tentativa e erro’ de Tiago, que começou a empreender no varejo com apenas 19 anos. 

Em 2006, ele fundou a Solidarium, que começou como uma loja física dentro de um shopping de Curitiba. Em pouco tempo, transformou o negócio numa distribuidora e depois num marketplace. Foi só em 2015 que ele chegou no modelo de negócios que tem hoje. 

“Na época, vi que muitos varejistas estavam migrando para o online, mas que os pequenos tinham muita dificuldade de operar seu próprio ecommerce ou navegar nos marketplaces,” diz o fundador. “Cada marketplace tem suas características próprias e conseguir ter bons resultados neles exige um nível de dedicação que boa parte dos lojistas não tem.”