A B3 está fazendo benchmarking com outros índices internacionais para alterar a metodologia do Ibovespa, Luiz Masagão, o vice-presidente de produtos e clientes da B3, disse ao Brazil Journal

O objetivo é ter “uma metodologia mais moderna que represente melhor o mercado brasileiro,” disse Masagão.

O Ibovespa é alvo de críticas do mercado há décadas, justamente por não refletir adequadamente a economia real.

As potenciais mudanças vêm sendo discutidas há meses nas reuniões periódicas que a Bolsa mantém com o mercado, mas o formato ainda está longe do final e deve ser objeto de consulta pública. 

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Uma das mudanças aventadas é passar a incluir os BDRs no índice; assim, o indicador passaria a refletir o desempenho de empresas como Nubank, Mercado Livre e outras que não são listadas na Bolsa brasileira, embora tenham parte relevante de seus negócios no País. 

A inclusão dos BDRs é “complexa”, segundo Masagão, porque os fundos de pensão têm limites para investir nesses ativos. A B3 já está em conversas com os reguladores sobre o tema, disse ele.

“Um índice precisa ter as melhores empresas de cada país. Mas o Ibovespa, além de ser muito concentrado em poucos setores, olha para o passado,” disse um executivo que acompanha as discussões. 

Criado em 1968, o Ibovespa só teve uma grande mudança metodológica em 2014 – quando, entre outras coisas, a ponderação das empresas do índice passou a ser feita por free float (em vez de por critérios de liquidez) e foram excluídas as penny stocks

A metodologia atual privilegia liquidez e tamanho. Um dos critérios de inclusão é que a ação tenha participação igual ou superior a 0,1% do volume financeiro negociado no mercado à vista durante o período de vigência das três carteiras anteriores. Além disso, os ativos são ponderados pelo valor de mercado do free float

Com isso, bancos e produtoras de commodities respondem por metade do índice. 

Em paralelo à discussão sobre a metodologia, a B3 – que passará a ser comandada por Christian Egan no dia 6 de julho – também estuda cobrar das gestoras que têm fundos usando o Ibovespa como benchmark, segundo esse executivo que acompanha as discussões. Hoje, apenas o uso em ETFs é cobrado. 

A cobrança dos fundos é uma prática internacional e uma maneira de a Bolsa ter mais uma linha de receitas estáveis, não sujeita aos altos e baixos do mercado, disse esse executivo. “A MSCI, a S&P e outros cobram, porque calcular índices tem custo.”