A Eneva propôs uma combinação de negócios com a AES Tietê, unindo seu portfólio de geração de energia térmica com as hidrelétricas, usinas eólicas e parques solares da geradora controlada por AES e BNDES.
 
A transação criaria uma companhia diversificada com 6,4 gigawatts de capacidade instalada (somando os projetos greenfield em construção nas duas empresas), mais de R$ 20 bilhões em valor de mercado, um fluxo de caixa mais duro e previsível e um custo de capital menor.
 
Tipicamente, as hidrelétricas são despachadas no primeiro semestre (quando as chuvas são mais comuns) e as térmicas e eólicas, no segundo semestre, gerando uma otimização da capacidade da empresa combinada.
 
A Eneva está propondo incorporar a AES Tietê, cujos acionistas receberiam 40% do valor em caixa e 60% em ações da Eneva.  Os principais acionistas da AES Tietê são a AES Corp, o BNDES e a Eletrobras.
 
A Eneva está pagando um prêmio de 13,3% sobre a cotação de fechamento da AES Tietê na sexta-feira.  O papel mais líquido da AES Tietê na Bolsa são suas units, e a Eneva está atribuindo o mesmo valor a ONs e PNs.
 
O namoro entre as duas companhias existe há cerca de um ano, quando o CEO Pedro Zinner e o CFO Marcelo Habibe iniciaram conversas com a AES Corp. nos EUA para mostrar o valor da combinação dos negócios.
 
A proposta foi enviada ontem à noite ao conselho da AES Tietê.
 
Além da complementariedade de portfólio, a transação traria sinergias fiscais.  
 
Como a Eneva carrega R$ 1,5 bilhão em prejuizos fiscais em seu balanço, a incorporação de uma empresa altamente lucrativa como a Tietê acelera a utilização dos créditos fiscais.  Além disso, a Tietê tem uma dívida bruta de cerca de R$ 4 bilhões, que poderia ser reperfilada a um custo de capital mais baixo.
 
A Eneva pretende fazer uma teleconferência com analistas ainda hoje, mas não deve estimar sinergias.  Zinner disse ao Brazil Journal que a companhia quer detalhar seus estudos internos em conjunto com a própria AES Tietê antes de publicar uma estimativa.
 
Na sexta-feira, a Eneva valia R$ 13,5 bilhões na B3; a Tietê, R$ 6 bilhões.
 
O BTG Pactual assessorou a Eneva, que recebeu aconselhamento jurídico do Trindade Advogados e do Stocche Forbes.