A CSN anunciou a intenção de vender o controle de sua empresa de cimentos e uma participação minoritária numa subsidiária que será criada para reunir suas operações de infraestrutura.
O plano é levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, recursos que seriam usados para reduzir o endividamento do grupo.
O Morgan Stanley deve coordenar a venda da CSN Cimentos, e o Citi deve ficar com o mandato do negócio de infraestrutura, pessoas próximas à CSN disseram ao Brazil Journal.
A ação fechou em baixa de 3%, com os analistas levantando dúvidas sobre se Benjamin Steinbruch está mesmo disposto a vender e como será a execução – e o valuation – num ano eleitoral.

Mas as taxas dos bonds fecharam, indicando algum alívio para os investidores de dívida.
Para o analista de renda fixa do JP Morgan, Ian Snyder, o anúncio foi positivo especialmente por acelerar o cronograma de monetização do negócio de cimento – antes disso, a expectativa era que isso ocorresse por meio de um IPO.
“Mas é importante destacar que a companhia vem prometendo vendas de ativos há algum tempo, e a execução bem-sucedida continua sendo fundamental para estabilizar os ratings e construir um histórico mais sólido de gestão do balanço,” disse o time de equities do JP Morgan.
Os analistas do BTG Pactual destacaram “uma bem-vinda sensação de urgência, mas também riscos de execução”. “Esperamos que o mercado recompense a companhia pela entrega, e não pelo anúncio.”
A dívida líquida da CSN corresponde hoje a 3,5x EBITDA, enquanto concorrentes locais e estrangeiros têm alavancagem de cerca de 1x, segundo o BTG – o mesmo patamar almejado pela companhia após os desinvestimentos.
A subsidiária de infraestrutura vai reunir um total de sete ativos, entre eles a participação da CSN na ferrovia MRS, o Tecar – terminal portuário usado para exportar o minério de ferro da própria CSN –, o terminal de contêineres Tecon (usado também por outras empresas), e o Grupo Tora, de transporte rodoviário.
A CSN ainda é dona da TransNordestina, mas não decidiu se venderá esse ativo.
A ideia é vender de 20% a 30% do negócio de infraestrutura; entre os possíveis interessados estão fundos globais especializados no setor, disse uma fonte próxima a Steinbruch.
Já a CSN Cimentos deve atrair principalmente empresas de cimento internacionais. “Não é sempre que aparece a oportunidade de comprar a segunda maior cimenteira do País,” disse uma fonte próxima à CSN.
O plano da CSN é vender os dois ativos ainda este ano. A ação sobe 25% em 12 meses e a companhia vale R$ 13,2 bilhões na Bolsa.











