Michael Klein vai deixar a presidência do conselho da Via Varejo, cargo que assumiu em junho passado após retomar o controle da companhia. 

Seu filho, Raphael, deve substituí-lo. 

O CEO Roberto Fulcherberguer também está deixando o conselho, que será reduzido de 7 para 5 membros.

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Dos mesmos produtores de “taxas de juros negativas” …. Estreou hoje “Petróleo negativo!”, um thriller econômico que ainda vai quebrar muita gente e desafiar verdades estabelecidas.

O contrato futuro do West Texas Intermediate para maio, cujo vencimento é amanhã, implodiu e cavou um buraco no chão em meio a relatos de que os centros de estocagem nos EUA estão batendo na capacidade.

Em dado momento, tiveram que ir perguntar à Chicago Mercantile Exchange se “era possível” o contrato ter valor negativo. “Yep!” respondeu a Bolsa.

Quando a poeira baixou, o contrato havia caído quase 300% e negociava a inéditos MENOS US$ 37,63 o barril. Em outras palavras, os produtores estavam literalmente pagando aos compradores para levar seus estoques.

Mas o preço negativo do contrato não significa que o valor do petróleo é negativo, explica Paulo Jakurski, of the House of Great Traders.

“O preço leva em consideração o preço de estocar e transporte até Cushing, Oklahoma”, o maior centro de armazenagem de petróleo nos EUA, explica Paulo, cada vez mais ativo no Twitter.  O que aconteceu é que o preço da estocagem/transporte ficou maior que o preço de venda do próprio petróleo (que ainda está positivo), levando os preços do contrato para o campo negativo. 

Mas a anomalia acontece apenas no contrato de maio. O WTI com vencimento em junho caiu 16%, fechando acima de US$ 20 o barril. Já o Brent, que baliza os preços da Petrobras e não é tão afetado por problemas de armazenagem, caiu 9%.

Com o lockdown global, era quase certo que o destino do petróleo era ter uma queda dramática, mas russos e sauditas, que brincaram de guerrinha na beira do abismo, agora vão virar motivo de piada.

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Como sempre, o evento levou à criação de memes épicos:




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Nos últimos dois anos, um dos grandes motores do aumento de lucro das empresas americanas foi a queda brutal dos impostos, de 27% para 19%.  Thanks, Donald.

Agora, com o estoque de dívidas do governo explodindo em meio aos gastos colossais para o combate à pandemia, a situação pode ser revertida.  

David Kostin, o head de equity da Goldman Sachs, disse hoje numa call do XP Private que depois da crise há um risco de haver um aumento nos impostos das empresas, que poderiam voltar ao patamar de antes de 2017 — quando a redução começou.

O resultado seria um impacto significativo nos earnings per share do S&P 500, que poderiam ter uma redução de até US$ 20 ano que vem por conta disso. 

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Para este ano, Kostin prevê uma queda de 33% nos earnings per share das empresas do S&P, que fechou em US$ 165 ano passado. Já para 2021, o cenário base prevê uma retomada para US$ 170, caso não haja o aumento nos impostos. Caso contrário, o EPS ficaria em US$ 150.

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A recuperação rápida do S&P 500, que hoje negocia com uma queda de apenas 11% em relação ao pico, surpreendeu Kostin, que nos patamares atuais vê “pouco upside e muito mais downside” para o índice.

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Luiz Barsi, grande acionista da AES Tietê, se posicionou contra a incorporação da companhia pela Eneva invocando padrões ESG de governança e dizendo, entre outras coisas, não querer investir numa empresa poluente.

Fabio Alperowitch, da Fama Investimentos, apontou a incoerência:

“Não dá para criticar a energia poluente da Eneva, ao mesmo tempo em que se investe em armas (Taurus) e amianto (Eternit). O uso indiscriminado do argumento de sustentabilidade, sem critério, constitui-se em um grande risco para a própria causa,” disse o gestor no Twitter. 

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A partir de 1 de maio, o Estado do Rio Grande do Sul vai adotar um modelo de distanciamento social controlado — um sistema que, caso funcione, pode servir de padrão para o resto do País.

Segundo o governador Eduardo Leite, o modelo se baseia em diferentes níveis de restrições, dependendo da curva de infecção de cada município. Se uma cidade X tiver uma disparada de casos e começar a sobrecarregar o sistema de saúde, suas restrições serão ampliadas. Por outro lado, se a curva começar a achatar, as medidas de distanciamento serão relaxadas.