A ClearSale, que ajuda empresas de ecommerce e fintechs a combater fraudes online, está comprando a fábrica de softwares Beta Learning – sua primeira aquisição em 20 anos de história.

Bernardo Lustosa, CEO da ClearSale, disse ao Brazil Journal que o interesse na Beta Learning não está num produto específico, e sim na qualidade do time de funcionários da empresa, que tem métodos próprios de treinamento e formação de mão de obra. 

“A ClearSale busca o crescimento sustentável, então essa é uma aquisição que endereça o nosso futuro,” disse Bernardo. “Além de suprir nossa necessidade atual de mão de obra, vamos formar pessoas para não sofrer com o apagão que vai acontecer nesse setor.” 

Segundo ele, a demanda por desenvolvedores no Brasil era de 123 mil profissionais em 2021, e a projeção é de que esse número alcance 797 mil em cinco anos. 

O Brasil forma apenas 53 mil profissionais por ano. 

Pelos termos da transação, a ClearSale vai pagar R$ 40 milhões aos sócios da empresa, que assumiram o compromisso de usar no mínimo R$ 3 milhões e no máximo R$ 6 milhões desses recursos para comprar ações da ClearSale. Eles também se comprometeram com um lockup de 3 anos. 

A Beta Learning tem sete fundadores. O principal sócio é Antonio Conserva Júnior, o atual CEO, que tem cerca de 70% da empresa. Todos permanecerão no negócio.

A operação prevê ainda um earn out estimado em R$ 12 milhões daqui a 24 meses, medido por critérios de manutenção da performance e crescimento de funcionários. 

As duas empresas já tinham um relacionamento há mais de dois anos. A ClearSale foi uma das primeiras clientes da Beta Learning e terceirizava parte da fabricação dos componentes de seus produtos para a startup.  

A aquisição aconteceu porque as empresas têm afinidades em termos de cultura empresarial e no foco em agilidade, tecnologia e pessoas, disse Bernardo. 

A Beta Learning nasceu em 2019 e tem 110 funcionários – 97 deles técnicos experientes, uma equipe que vai elevar em 30% o headcount do time de desenvolvimento da ClearSale. 

A ClearSale nasceu para combater as fraudes nas compras realizadas com cartões, uma atividade que ainda concentra a maior parte de suas receitas. 

Mas a principal aposta de crescimento futuro da companhia é o que ela chama de “fraud application”, que é a fraude na subscrição de produtos, quando um consumidor solicita um cartão de crédito online, abre uma conta corrente, compra uma linha telefônica pós paga ou faz uma assinatura de TV a cabo, por exemplo. 

Com a aquisição da Beta Learning, além de mitigar os riscos do apagão de mão de obra, a empresa também poderá aumentar seu roadmap de produtos – dois compromissos assumidos com os investidores quando se listou na B3, em julho passado. Com o ano difícil para a Bolsa, a ação da empresa acumula queda de 60% desde o IPO. 

“A nossa crença é de que o que nós fizermos dentro da empresa é o que vai se refletir no preço da ação, cedo ou tarde. A ClearSale continua crescendo nas mesmas taxas, entre 25% e 35% ao ano, com margens um pouco menores, mas dentro do previsto,” diz Bernardo.

A ação fechou o dia a R$ 9,60 com a empresa valendo R$ 1,8 bilhão. 

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