Sandoval Martins – um veterano com mais de duas décadas de experiência em tech – acaba de assumir como vice-presidente de digital, marketing e comercial do Banco Bmg, uma posição que acaba de ser criada para englobar toda a jornada do cliente do banco mineiro.

Para assumir o cargo, o executivo está deixando a NeoSecure, a empresa de cybersecurity criada pelo Pátria e que ele liderou nos últimos dois anos e meio.

A missão no Bmg é clara: transformar uma instituição que sempre foi sinônimo de crédito consignado num banco digital completo para a pessoa física – e acessando um novo perfil de cliente no processo. 

“Minha vinda pra cá não é para focar no core,” Sandoval disse ao Brazil Journal. “Queremos ir para o mar aberto – ainda que eu deteste essa expressão – e criar um banco com uma oferta ampla de produtos e que seja o principal banco do nosso correntista.”

Segundo ele, o Bmg vai continuar forte no consignado, mas pretende adicionar vários produtos e serviços à plataforma, começando por investimentos e produtos padrões de conta corrente, como cheque especial e parcelamento. 

No processo de digitalização, Sandoval disse que o Bmg vai se apoiar nas mais de 850 lojas Help – que cobrem todo o País e funcionam como agências para a originação de consignados – e desenvolver uma estratégia ‘figital’. 

“A Help e os correspondentes bancários são um diferencial nosso, porque além de ajudar na originação, mantêm o nosso CAC baixíssimo,” disse Sandoval. “Claro que também vamos trabalhar na estratégia padrão de marketing digital, mas vamos tomar muito cuidado com o CAC.” 

Sandoval – que começou ontem no Bmg – vai se reportar à CEO Anna Karina Bortoni Dias, que assumiu o comando do banco há pouco mais de dois anos.

Com a ação negociando perto de sua mínima histórica, o banco enfrenta o desafio de reverter as expectativas do mercado. O papel, que saiu a R$ 11,60 no IPO em 2019, hoje está cotado ao redor de R$ 3, dando ao Bmg um market cap de R$ 600 milhões.

***

Sandoval começou sua carreira numa incubadora que investia em startups focadas na internet. O ‘timing’ foi o pior possível: 1999, às vésperas do estouro da bolha das ‘pontocom’.

Depois, foi RI da GOL e trabalhou na TAM, onde ajudou a criar a Multiplus, trabalhando como CFO da companhia de fidelidade. 

Sua volta ao mundo de tech aconteceu pela Naspers: foi CFO do Buscapé para a América Latina e liderou a divisão global de meios de pagamentos da empresa sulafricana.

Sandoval também fez parte do comitê de auditoria do Banco Original e hoje é conselheiro da CVC. 

O executivo também já esteve no board do próprio Bmg entre 2019 e 2020, de onde saiu para tocar a NeoSecure.