Abilio Diniz vendeu hoje R$ 800 milhões em ações do Carrefour Brasil, cerca de 2,5% do capital da companhia.

A corretora Itaú, que coordenou a venda, anunciou ao mercado ontem um lote de R$ 1 bilhão e disse que um investidor europeu estava ancorando metade da oferta. O preço proposto: R$ 15,91, um desconto de 5% em relação ao fechamento de ontem.  

No final, o lote de 50,5 milhões de ações passou a R$ 15,94, e Abilio vendeu R$ 800 milhões.  De acordo com investidores, Abilio se comprometeu a não vender mais ações pelos próximos 90 dias.

A venda equivale a cerca de 22% da posição de Abilio — que passa a ter 8,9% da companhia após a oferta — e é um exercício de reciclagem de capital para seu family office, a Peninsula, que tem focado em investimentos de private equity nos setores de consumo, educação, saúde e bem-estar e canais digitais como a Wine.

O investimento no Carrefour foi um gol para Abilio. Quando investiu na rede em dezembro de 2014, Abilio avaliou a companhia em R$ 18 bilhões. Hoje, o valor de mercado é de R$ 31,5 bilhões — uma valorização de 56% em quatro anos (12% ao ano), incluindo a diluição causada pelos R$ 3,5 bilhões que a companhia levantou em seu IPO.  

No entanto, a precificação agressiva do IPO manteve a ação estagnada. A ação fechou em R$ 16,75 ontem.  O IPO, em julho de 2017, foi a R$ 15.

A venda de Abilio acontece um dia depois do Carrefour publicar um resultado trimestral melhor que as estimativas do mercado.

O mercado tem penalizado a ação pela performance do chamado ‘Carrefour Varejo’ — as lojas não-Atacadão — cujas margens haviam desmoronado.

No terceiro tri, o Carrefour Varejo finalmente mostrou uma reversão da tendência de queda de rentabilidade. A margem EBITDA — que já foi 5,5% e havia desabado para 4%, — reagiu para 4,5% no último trimestre. O Carrefour Varejo responde por 19% do EBITDA da companhia, o Atacadão é 60% e o Banco Carrefour, 21% (o banco tem uma rentabilidade maior do que as operações de varejo.)