A C&A começa a negociar hoje, depois que seu IPO foi precificado na última quinta a R$ 16,50 por ação, o piso da faixa, que ia até R$ 20.
 
Mas em vez de sugerir fraqueza, o fato do papel sair no piso da faixa pode significar uma boa negociação logo de saída.
 
Segundo fontes próximas à oferta, havia demanda suficiente para precificar a R$ 17 e acima, mas a Cofra, controladora da C&A, concordou em não ser gulosa e deixar algum dinheiro na mesa para que o papel pudesse andar — o que é inteligente, já que a Cofra ainda tem 64% da empresa e precisa manter um mercado saudável para vendas futuras.
 
No final, 85 investidores institucionais receberam alocação — o dobro do número de contas que têm sido alocadas em ofertas recentes no Brasil.  Cerca de 75% da oferta ficou com investidores locais — incluindo nomes como Verde, JGP, Truxt e SPX — e o saldo, com internacionais.

A oferta levantou R$1,8 bilhão — 45% do total para o caixa da C&A (quase tudo para pagar um mútuo com a controladora) e 55% diretamente para a Cofra — e a demanda forte permitiu colocar o ‘hot issue’ de 20% e o greenshoe de 15%. A empresa nasce valendo R$ 5 bi na Bolsa e, assumindo R$ 270 milhões de lucro em 2020, negocia a 18,9 vezes lucro, comparado a um múltiplo de 29 vezes para Lojas Renner.
 
A volta do investidor internacional também fez parte da narrativa. Gestoras grandes que há tempos não participavam de IPOs brasileiros botaram ordens e receberam alocações.
 
Os coordenadores são Morgan Stanley (que tem relacionamento global com a Cofra), Bradesco BBI, BTG Pactual, Citi, Santander e XP.
 
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