O Softbank acaba de pedir autorização à SEC para levantar um SPAC de US$ 200 milhões que vai investir numa empresa de tecnologia na América Latina. 

A documentação do SPAC — chamado LDH Growth Corp. I — lista os executivos do Softbank Marcelo Claure como chairman e CEO e Paulo Passoni e Shu Nyatta como managing directors. 

A holding que controla o SPAC — Latin America Digital Holding — se comprometeu a injetar mais US$ 50 milhões no momento da fusão, e uma fonte com conhecimento do assunto disse que o Softbank pretende concentrar todo o ‘economics’ deste SPAC nesta holding, que poderá lançar outros SPACs no futuro.

Os bancos coordenadores são Citigroup e JP Morgan, e o pricing deve acontecer em março. 

O SPAC não vai competir com o fundo que o Softbank montou para investir na América Latina. O Softbank Latin America Fund só investe em early-stage companies, enquanto o SPAC deve buscar companhias mais maduras e prontas para um IPO. 

A documentação do SPAC permite que ele invista inclusive em empresas do portfólio do Softbank Latin America Fund.

Os SPACs — que se tornaram uma estratégia de listagem mais popular que os IPOs nos EUA no ano passado — costumam encontrar resistência por parte de alguns investidores que consideram a estrutura muito cara em termos de comissões. 

Além dos ‘fees’ pagos aos bancos — 2% upfront e mais 3,5% na hora da fusão — o SPAC remunera seus sponsors (neste caso, o Softbank) com 20% do equity da entidade resultante da fusão. Frequentemente, os acionistas da empresa alvo de um SPAC têm negociado uma redução dessa remuneração, conhecida como ‘promote’ no jargão da indústria. 

A proliferação dos SPACs está aumentando a possibilidade de escolha por parte de companhias considerando um IPO. Além de garantirem um processo de negociação muito mais rápido — por envolver menos pessoas — os SPACs, ao contrário de companhias em processos de IPO, podem fazer projeções financeiras e operacionais, o que facilita a tomada de decisão por parte dos investidores e diminui os erros de precificação.

Dois outros SPACs têm como alvo empresas latino americanas.

O Itiquira Acquisition Corp. — que também está levantando US$ 200 milhões — tem como sponsors o ex-executivo do Grupo EBX, Paulo Gouvêa, o ex-head de investment banking do Credit Suisse na América Latina, Pedro Chomnalez, e o ex-head de M&A do Credit Suisse na América Latina, Marcus Silberman.

Os coordenadores são Citigroup e UBS, e o pricing está marcado para a semana que vem.

Já a HPX Corp. — de Bernardo Hees, Carlos Piani e Rodrigo Xavier — levantou US$ 220 milhões no final do ano passado para investir em algum ativo no Brasil. A operação foi coordenada pelo Credit Suisse.

O SPAC para a América Latina não é o primeiro do Softbank. Há poucos dias, o grupo japonês levantou o SVF Investment Corp., um SPAC de US$ 525 milhões para procurar uma empresa em setores como inteligência artificial, robótica, cloud e software.