A Loft acaba de ser avaliada em US$ 2,2 bilhões (post money) numa rodada que a transforma na maior ‘proptech’ da América Latina — e que é provavelmente a última antes de um IPO. 

A startup fundada por Mate Pencz e Florian Hagenbuch levantou US$ 425 milhões junto a um grupo de investidores mais focado em empresas listadas do que privadas.

O valuation — R$ 12 bilhões no câmbio de hoje — é, para efeito de comparação, igual ao valor de mercado das incorporadoras Cyrela, Gafisa, e das corretoras Lopes e Brasil Brokers, somadas.

Também é mais que o dobro da rodada anterior (Série C), em janeiro de 2020, que avaliou a Loft em US$ 1 bi. Na Série B, em março de 2019, o valuation havia sido de US$ 370 mi post money

A diluição da nova rodada ficou em torno de 15%, e os fundadores continuam com cerca de 40% do capital.  

A Loft é agora a maior ‘proptech’ residencial fora dos EUA e China (veja a tabela no final do post). Há outras maiores — como o WeWork e a OYO — que operam em outros nichos do mercado imobiliário.

A Loft ainda tem “bastante caixa” da rodada anterior, mas resolveu ser oportunística dado o interesse demonstrado pelos fundos, o que lhe permitiu “escolher a dedo estes investidores,” Mate disse ao Brazil Journal.

A Série D foi liderada pelo D1 Capital, um fundo americano que já investiu em empresas como Instacart, Robinhood, Snowflake e SpaceX. 

Além da D1, a lista de novos investidores inclui: Advent, Altimeter Capital, CPPIB, DST Global, GIC, Silver Lake, Soros, Tarsadia Capital e Tiger Global. 

Fundos que já investiam na Loft também acompanharam: Andreessen Horowitz, Caffeinated Capital, Fifth Wall Ventures, Monashees, QED Investors, Vulcan Capital e Zigg Capital.

Fundada em 2019, a Loft começou como uma operação 1P: comprava apartamentos antigos, reformava e depois revendia com uma margem de lucro. 

Em agosto passado, começou a operar também como marketplace, vendendo imóveis de terceiros e passando a oferecer serviços adicionais como financiamento, seguros, reformas e home equity

A Loft, que hoje opera apenas nos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro, pretende usar os recursos da rodada para entrar em mais três capitais ainda este ano, além de ganhar escala nas regiões em que está presente. 

“Um ano atrás, tínhamos menos de mil imóveis listados. Já demos um salto de 15x e seguimos tentando fazer cada vez mais. Queremos oferecer todo o estoque ativo do mercado na nossa plataforma,” disse Mate.  

Num momento em que players tradicionais como Brasil Brokers e Lopes investem para fechar seu gap digital, a Loft aposta que seu diferencial irreplicável será o uso de dados, que ajudam o vendedor a vender mais rápido, e o comprador, a pagar melhor. 

Depois de três anos vendendo imóveis próprios, a Loft cada vez mais tem informações sobre o preço de venda em cada região — quarteirão por quarteirão — bem como sobre a liquidez dos imóveis e as preferências do comprador (por exemplo, se a adição de uma cozinha americana ajuda a facilitar a venda).  

A Loft também usa a tecnologia para reduzir as fricções do processo, permitindo, por exemplo, que a assinatura dos documentos seja feita 100% digital, sem o cliente ter que pisar no cartório ou no banco para fechar o financiamento. 

Como muitos unicórnios, a Loft ainda queima caixa. Segundo Mate, o plano de negócios prevê EBITDA e geração de caixa positivos nos próximos dois a três anos.

 

ARQUIVO BJ

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