Bill Ackman pediu à SEC autorização para levantar o maior SPAC da história do mercado de capitais americano.

O objetivo: comprar um “unicórnio maduro.” 

“Nas últimas décadas, numerosos negócios de alta qualidade e investidos por fundos de VC atingiram escala e market share significativos, além de dominância competitiva e uma geração positiva de caixa — chamamos essas empresas de ‘unicórnios maduros’,” Ackman disse no documento enviado à SEC. 

Um SPAC — um “veículo de aquisição de propósito específico”, na sigla em inglês — costuma ser comparado a um cheque em branco. Os criadores do SPAC levantam recursos junto a investidores com a promessa de encontrar e comprar um ativo atraente no prazo de dois anos. (O investidor não sabe o que vai ser comprado, mas confia no histórico de quem levanta o SPAC.)

Entre o IPO do SPAC e a compra do ativo, os recursos ficam depositados na renda fixa.

Ackman quer levantar US$ 3 bilhões junto a investidores externos e vai investir entre US$ 1 bilhão e US$ 3 bilhões de seus próprios fundos. 

O IPO do veículo — chamado Pershing Square Tontine Holdings — consistirá na venda de 150 milhões de ações a US$ 20 por ação.  

O timing é estratégico. Ackman acha que a pandemia criou uma oportunidade para se comprar empresas do Vale do Silício, já que o ambiente econômico reduziu substancialmente a quantidade de recursos privados disponíveis para essas empresas, ao mesmo tempo em que a demanda por liquidez de seus investidores aumentou.

Esta não é a primeira vez que Ackman levanta dinheiro com um SPAC, que são comuns nos EUA mas inexistentes no Brasil. 

Em 2012, ele criou um veículo chamado Justice Holdings, que fundiu-se com o Burger King num IPO reverso que trouxe a rede de hambúrgueres de volta à Bolsa — dando origem assim à Restaurant Brands International.

Os coordenadores da oferta serão o Citigroup, Jefferies e UBS. 

Está chovendo SPACs no mercado americano: nas últimas seis semanas, empresas como a fabricante de caminhões híbridos Nikola, a Virgin Galactic, de viagens espaciais, e a DraftKings, de apostas online, entraram na Bolsa fundindo-se com SPACs.

Todas viram suas ações decolar.

No ano passado, 59 IPOs de SPACs levantaram US$ 13,6 bilhões nos Estados Unidos. Neste ano, já foram 32, levantando US$ 10,4 bilhões (quase metade de todos os IPOs deste ano até agora).

Hoje, pelo menos 96 SPACs estão buscando alvos para suas aquisições, com US$ 25 bilhões esperando na renda fixa. Como os SPACs tipicamente compram companhias de três a quatro vezes maiores, até US$ 100 bilhões em empresas podem entrar na Bolsa via SPACs nos próximos dois anos. 

ARQUIVO BJ

O IPO do cheque em branco