Rafael Stark não é Tony Stark — o personagem da Marvel cuja identidade secreta é o Homem de Ferro — mas vai precisar de superpoderes para cavar seu espaço num mercado dominado pelos grandes bancos.

Sua fintech, batizada de Stark Bank, está tentando construir o primeiro banco digital PJ focado nas contas ‘enterprise’ (as contas das grandes empresas).

Para isso, a Stark acaba de levantar R$ 74 milhões numa rodada liderada por Lachy Groom, um dos primeiros funcionários da Stripe. Depois de se tornar um VC, Lachy já levantou três fundos, o último deles de US$ 250 milhões.

A Stark atende mais de 300 companhias, incluindo empresas como Quinto Andar, Loft, Buser, Colgate e Petlove. 

Só no mês passado, a fintech movimentou R$ 1,4 bilhão em seus dois produtos: uma solução de cash management (que faz a gestão do ‘contas a pagar’ e do ‘contas a receber’ das empresas) e um cartão corporativo. 

A Stark quer multiplicar tanto o volume transacionado quanto a receita por 10 até o final do ano que vem. 

Enquanto os grandes bancos “pegaram as soluções desenhadas para pessoas físicas e fizeram um ‘puxadinho’ pras pessoas jurídicas,” a Stark foi desenhada para atender as necessidades das grandes empresas, disse o fundador, que entrevistou vários CFOs para entender o que eles queriam encontrar na plataforma antes de lançar o produto.

“Quando você abre o app dos bancões, você vê basicamente seu extrato e tabelas com dados dos pagamentos… Quando você abre a Stark tem um dashboard com vários dados: tíquete médio do contas a receber, taxa de inadimplência, fluxo de caixa, projeção do caixa futuro, taxa de performance, evolução do tíquete médio,” ele disse ao Brazil Journal. 

No cartão corporativo, a Stark permite que a empresa defina uma série de ‘regras’ para o uso do cartão, de limites de gasto por dia até os estabelecimentos permitidos. A Stark usou como benchmark empresas americanas como a Ramp (a principal concorrente da Brex) e a Marqeta. 

A receita da Stark vem de dois modelos de monetização: no cash management, ela ganha um flat fee que varia dependendo do meio de pagamento (PIX, boleto, etc). No cartão, ganha um take rate em cima das transações.

A Stark pretende usar os recursos da rodada para entrar em câmbio, adquirência (para permitir receber pagamentos online em cartão), e para criar uma solução de banking as a service, disponibilizando sua infraestrutura para empresas e fintechs que ainda não tenham integração com o Banco Central.

Rafael — um engenheiro do ITA que se especializou em programação e criou uma software house chamada Hummingbird — começou a conceber a Stark quando fazia um projeto para a Colgate. Na época, precisou encontrar um API de pagamentos mas não achou nada no mercado. Foi então que decidiu desenvolver seu próprio e começar a vender para algumas empresas.

“A partir daí, teve uma evolução natural. As empresas começaram a nos pedir novas funcionalidades até que chegamos a uma solução de cash management completa. Depois disso, algumas empresas começaram a largar os grandes bancos para operar só com a gente e fomos desenvolvendo novas soluções para elas,” disse o fundador. 

O maior desafio da Stark é conseguir romper a barreira da confiança e conquistar as empresas da ‘Velha Economia’. Apesar dos clientes da startup já serem grandes companhias, a maior parte ainda veio da economia digital.

“No small business, é só você dar tudo de graça, zerar as tarifas, e fazer ads que você já consegue atrair muitos clientes,” disse o fundador. “No enterprise, é um jogo muito mais lento: você tem que criar cases e provar que funciona, porque cada cliente que entra quer conversar com outros clientes… Além disso, ele tem que ver uma diferença muito grande na qualidade para trocar de produto. Temos que criar um produto que seja 10x melhor, e que o cliente perceba essa diferença. Senão ele não troca.”

A Série A também teve a participação da americana K5 Global e das brasileiras Iporanga Ventures e Norte Capital. Os fundadores da Coinbase, Dropbox, Flexport, Figma, Rappi, D.Local, Wildlife e Slack também participaram.