A estreia de A Odisseia – o novo filme do premiado diretor inglês Chris Nolan – foi o sucesso de vendas que se esperava, o que puxou as ações das redes de cinema dos EUA ontem num trade “olha, o cinema está vivo”.
O papel da AMC subiu 24%; outras redes de cinemas como Cinemark e Marcus Corp também registraram ganhos na sessão. Hoje o setor passa por uma correção – mas não devolve os ganhos porque as razões para a alta parecem sólidas.
Primeiro, pelo óbvio. Grandes estreias movem a indústria e Nolan faz questão de entregar blockbusters feitos da forma mais artesanal possível.
Quando um filme assim arrecada US$ 264 milhões em seu primeiro fim de semana, o executivo do estúdio entende que o público segue apreciando “filmes grandes” – e está disposto a pagar para vê-los no cinema.
Ainda assim, o filme de Nolan foi apenas a terceira maior estreia do ano nos EUA, atrás de Toy Story 5 e The Super Mario Galaxy Movie. Ou seja, outras categorias (como filmes infantis) também estão indo bem e impulsionando o setor à sua primeira boa fase desde a pandemia.
Ontem, parte da alta da AMC, cuja ação é extremamente volátil desde que se tornou uma meme stock, foi justamente graças ao seu resultado no segundo tri: as vendas cresceram 14% ano contra ano, o EBITDA aumentou 70% e a empresa lucrou US$ 104 milhões.
O CEO Adam Aron disse na call com analistas que este é o melhor resultado da história centenária da empresa; e que os cinemas de formato especial como IMAX, que representam apenas 8% das telas da AMC, foram responsáveis por mais de 50% das vendas de ingressos para A Odisseia, segundo o Axios.
A empresa espera estrear pelo menos mais 100 telas grandes, cujos ingressos são até US$ 7 mais caros, nos próximos meses.
A IMAX, que vende uma solução completa de câmeras, formatos de filme, projetores e salas de cinema, também sorri de orelha a orelha quando Nolan, o maior embaixador da marca, lança filmes.
O papel não se moveu com A Odisseia porque a empresa divulga resultados trimestrais nesta quinta, mas sobe 30% em 12 meses.
Villeneuve, o diretor de Dune, é um dos entusiastas da IMAX, assim como os já premiados Ryan Coogler e Jordan Peele. Para a empresa, quantos mais diretores respeitados utilizarem seus produtos, melhor. É nisso e na abertura de mais salas que aposta.
O sucesso continua não sendo garantido. O esperado live action de Moana, da Disney, deve dar mais de US$ 100 milhões de prejuízo, disse o site Deadline.
Na ala corporativa, possíveis mudanças no acordo de compra da Paramount Skydance pela Warner Bros. Discovery também podem mexer com os preços das ações, já que o M&A tem uma cláusula que garante o lançamento de filmes em tela grande.
Ontem uma juíza federal da Califórnia interrompeu temporariamente a compra enquanto analisa uma ação que alega que o acordo viola leis antitruste. Uma decisão negativa adiaria o closure consideravelmente.
Mas o big picture é que o americano voltou ao cinema e, por ora, os estúdios seguem dispostos a apostar no formato. Este ano ainda teremos novos Spider-Man e Avengers – e Dune: Part Three.
A Imax vale US$ 2 bilhões na Bolsa.
A AMC vale US$ 2,15 bi.











