A Saks — uma corretora digital de previdência privada — acaba de levantar R$ 26 milhões numa rodada co-liderada pela Kinea, a gestora de private equity do Itaú Unibanco, e pelo Canary. 

A Kinea investiu por meio de seu fundo de early stage, que já investiu em três outras fintechs: a Monkey Exchange, a Paketá, de crédito consignado para CLTs, e a Liqi, de tokenização.

O cheque vai dar poder de fogo para a Saks triplicar de tamanho, chegando a R$ 3,5 bilhões de ativos sob custódia este ano.

Para isso, o fundador Luiz Bacellar quer roubar mercado dos bancões, que ainda dominam 92% do R$ 1,2 trilhão que o brasileiro tem em fundos abertos de previdência privada. 

Os principais alvos: Bradesco e Banco do Brasil, que detêm mais da metade do mercado — e, segundo o fundador, “têm boa parte de seus produtos rendendo menos que o CDI.”

A rodada seed teve ainda a participação do FJ Labs, a gestora de Fabrice Grinda, fundador da OLX; e da Honey Island, uma gestora nova criada por co-fundadores do Ebanx. 

Bacellar, que já criou e vendeu duas operações no mercado de seguros, fundou a Saks em dezembro de 2020.

Em 2014, ele criou a Desbrava Corretora, uma corretora de vida e previdência que foi comprada pela DM10 (que, por sua vez, foi adquirida pela XP). Logo depois, montou uma joint venture com a EQI Investimentos focada em vida e previdência. Quando o BTG comprou a empresa, Bacellar vendeu sua participação na JV e deixou o negócio para fundar a Saks. 

A Saks desenvolveu uma plataforma digital que oferece mais de 100 fundos de previdência diferentes. O aplicativo tem um robô que sugere o melhor produto para cada cliente, analisando, por exemplo, se é mais vantajoso contratar um fundo VGBL ou PGBL dependendo da situação tributária de cada um.

O app também permite fazer simulações, criar objetivos e acompanhar o desempenho de todos os seus fundos.

No final do ano passado, a startup criou também uma gestora, que começou a operar com apenas um fundo multimercado (o Saks SuperPrevi) com R$ 9 milhões sob gestão. A ideia é lançar outros produtos em breve, incluindo fundos de fundos, que vão investir num portfólio diversificado de fundos de previdência. 

A Saks é uma das poucas fintechs brasileiras se aventurando no mercado de previdência privada. Além dela, há também a Onze, que recebeu um aporte de R$ 53 milhões no começo do ano passado mas foca no mercado corporativo. 

“Fala-se muito de banking, trading e investimentos, mas na parte de savings ainda tem pouca gente inovando,” o fundador disse ao Brazil Journal. “O brasileiro está pulando uma etapa: está saindo do banco e indo direto pro trading, para uma corretora, e começando a operar produtos de renda fixa e variável. Mas ele não está se preocupando com a previdência dele.”

Neste mercado, um player que tem ganho participação é a XP, que tem uma divisão de vida e previdência, que vende produtos próprios e de terceiros. 

A rodada vem algumas semanas depois da Saks adquirir a DIF Markets, uma corretora com sede no Uruguai que dá acesso a investidores da América Latina aos mercados globais — no mesmo molde do que a Avenue faz no Brasil, mas com oferta de renda fixa e bonds. 

A transação vai ampliar o escopo de savings dentro da Saks, aumentando a atratividade do produto

“A Saks pré-DIF era uma companhia com um produto muito bom nesse mercado de previdência privada, mas com apenas um produto. A DIF traz um diferencial muito claro para a tese como um todo, reduzindo muito o risco,” disse Philippe Schlumpf, o gestor da Kinea. “Ao dar acesso aos mercados internacionais, ela traz um appeal muito mais tangível para os clientes, diversificando seus savings de longo prazo.” 

A Saks vai integrar a plataforma da DIF com seu aplicativo atual, permitindo que o cliente encontre todas as ofertas num só lugar. 

Por enquanto, a receita da startup vem basicamente de uma parcela da taxa de administração dos fundos que as gestoras repassam para ela pelo serviço de distribuição. Com o crescimento da gestora, a startup vai passar a capturar uma parcela maior do economics — mas o fundador diz que a verticalização do negócio deve parar por aí.

“Não está nos nossos planos virar uma seguradora, porque quando você virá ‘fábrica’ você tem um custo de carrego muito grande,” disse ele.