Quando o termo software as a service (SaaS) ainda não era sinônimo de múltiplos espetaculares no Brasil, Diego Gomes já fazia investimentos em startups do setor.

O fundador da Rock Content, a empresa de marketing de conteúdo de Belo Horizonte, atua como anjo desde 2013, e já apostou em ideias que se revelaram cases de sucesso nesse mercado, como a Pipefy e a Conta Simples. 

Há três anos, Diego profissionalizou o negócio e criou junto com Gustavo Souza a SaaSholic, uma gestora que está partindo para seu segundo fundo. 

A ambição é captar US$ 10 milhões, e a gestora já garantiu commitments para um terço do total — em grande parte com empreendedores mineiros que já haviam investido no fundo I, uma lista que inclui Israel Salmen, da Méliuz, e os fundadores da Hotmart. (Aquele fundo foi de apenas US$ 2 milhões e ancorado pela Redpoint eVentures.) 

O SaaSholic II quer investir em até 30 startups de SaaS com cheques que vão de US$ 150 mil a US$ 500 mil. O foco é no early stage — quando o produto acaba de ser lançado e ainda não ganhou tração.

O first closing deve acontecer em março. 

A partir deste segundo fundo, a SaaSholic passa a ter mais um sócio como managing partner: William Cordeiro, que trabalhou nos últimos cinco anos na GV Angels, onde liderou mais de 50 investimentos. 

Gustavo, que foi o head de novos negócios da Rock e tocou os investimentos do fundo I, continuará como managing partner ao lado de William, enquanto Diego será um adviser fora do dia-a-dia da operação. 

“Nosso maior arrependimento no fundo I foi ter comprado pouco das empresas em que entramos,” Gustavo disse ao Brazil Journal. “Com esse novo fundo vamos fazer mais do mesmo, mas com mais capital para investir nas empresas.” 

Para se diferenciar das gestoras tradicionais de VC, a SaaSholic aposta na ‘hiper especialização’.

“Os fundos de early stage geralmente nascem bem generalistas: investindo em bons empreendedores e em mercados grandes. Então, eles acabam fazendo de tudo um pouco, mas muitas coisas com uma convicção média,” disse William. “Quando você tem uma visão mais estreita, como a nossa, você se aprofunda mais nas teses, se aproxima mais dos fundadores e entra com muito mais convicção nos investimentos.”

Para Gustavo, a beleza da especialização é que há “várias coisas de SaaS que a gente já fez ou já vimos funcionando, e que conseguimos aplicar nas novas investidas.”

No primeiro fundo, a gestora deu um dos primeiros cheques para startups como Conta Simples, Atlas Governance e Pingback. Segundo Gustavo, os investimentos já estão marcados a cerca de 3x o capital inicial — o equivalente a um retorno bruto anual de 84%.

Para ter acesso a empreendedores antes de outros fundos, a SaaSholic está apostando no modelo conhecido lá fora como ‘Scout Program’. 

A gestora vai incentivar empreendedores e pessoas ligadas ao ecossistema de inovação a indicar startups, cedendo 20% do carry (a taxa de performance) se o fundo decidir investir.