Quando largaram seus empregos no mercado financeiro para criar um lugar com “cara de boteco” bem no meio da Faria Lima, Alessandro Avila e Pedro Silveira levantaram R$ 10 milhões com amigos do mercado.

Com o dinheiro, o Eu Tu Eles e o Tatu-Bola abriram as portas lá se vão 12 anos. 

Hoje, o Grupo Alife-Nino é dono de 38 bares e restaurantes de 13 marcas diferentes, e faturou R$ 300 milhões ano passado.

A encorpada veio em 2019, quando Alessandro e Pedro fundiram seu negócio com o Grupo Nino – controlado pelo chef Rodolfo de Santis e dono de restaurantes como o Nino Cucina. Dois anos depois, o grupo recebeu a benção de Chu Kong – o chefe do private equity da XP, que fez um cheque de R$ 100 milhões.

Agora, os sócios se preparam para pisar no acelerador – e juram não ter bebido quando falam num IPO daqui a dois anos (num Brasil em que ninguém mais ganha dinheiro na Bolsa). 

O plano é dobrar de tamanho este ano, abrindo 38 unidades e fazendo uma receita de R$ 500 milhões. No ano que vem, a ideia é manter o mesmo ritmo e atingir R$ 750 milhões de faturamento. 

Nos últimos sete anos, o Alife-Nino teve uma taxa média de crescimento anual de 50%, mesmo considerando os anos de 2020 e 2021, quando a receita só não caiu porque a rede abriu novos restaurantes. (Naquele período, as vendas no conceito ‘mesmas lojas’ despencaram mais de 40%.)

A expansão agora vai ser centrada em quatro marcas: Tatu-Bola, Boa Praça, Nino Cucina e o Nineto – um novo formato que acaba de ser lançado e adapta o Nino Cucina para os shopping centers. 

Este ano, o Nineto abriu seu primeiro restaurante no Shopping Morumbi, em São Paulo, com tíquete médio de R$ 100, quase metade do tíquete do Nino Cucina (R$ 180). 

O grupo também está entrando em novos estados. Hoje, tem lojas em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Goiânia, Campo Grande, Fortaleza e Recife. Este ano, vai estrear em Salvador, Cuiabá, Curitiba e Brasília. 

A expansão mais nacional será centrada nos bares, já que os restaurantes têm “uma limitação maior, pelo perfil do público,” disse Alessandro, o CEO do grupo e um ex-trader da Merrill Lynch.

“Mas teremos o Nino em Brasília, Curitiba, Goiânia… Em todas as grandes praças.”

Alessandro diz que a opção de operar com diversas marcas – apesar de adicionar complexidade em algumas áreas, como marketing – cria mais avenidas de crescimento para o grupo.

“Se o Madero vai bem no Center Norte, por exemplo, ele não tem uma segunda marca para colocar do lado. A gente tem várias,” disse ele. “O Coco Bambu já percebeu isso e está indo por esse caminho também, com o Vasto, de carnes, e uma marca italiana que eles lançaram agora.”

Segundo o CEO, um dos maiores desafios de crescer nesse setor é conseguir manter o padrão de qualidade, ainda mais em restaurantes como o Nino Cucina.

“Como eu garanto que o prato daqui vai ser igual ao prato servido em Recife?”, disse ele. “A única forma é tendo as pessoas certas, nos lugares certos e com o treinamento certo.”

A visão do Alife-Nino é ser um agente consolidador do mercado, “assim como a Petz no mercado pet e a SmartFit nas academias,” disse o CEO. Como o mercado de bares e restaurantes é extremamente pouco profissionalizado – com mais de 1 milhão de CNPJs e só 3% desse total no lucro presumido – “tem muito espaço para consolidação.”

O CEO disse que o caminho natural do Alife-Nino é um IPO num horizonte de dois a três anos, até pelo timing de saída da XP.

“É um segmento que os investidores perguntam e que quase não tem ativos na Bolsa. Uma empresa que cresce como a nossa, que é rentável, e que tem zero de dívida seria um bom ativo para levar ao mercado.”