O serviço postal da Dinamarca, o Postnord, enviou sua última carta no dia 30 de dezembro, marcando o fim de um serviço de mais 400 anos que se tornou obsoleto com o avanço da digitalização na sociedade dinamarquesa.

O Postnord continuará fazendo entregas de pacotes e outros itens, mas o envio de cartas será responsabilidade da DAO, uma empresa privada que recolherá as correspondências em lojas e quiosques pelo país. Hoje a DAO tem capacidade para entregar 30 milhões de cartas por ano, mas planeja expandi-la para 80 milhões até o final de 2026.

A Constituição dinamarquesa prevê a obrigatoriedade da opção de receber uma carta de maneira física. Isso significa que se a DAO não pudesse entregar as cartas, o governo seria obrigado a nomear outra entidade para este serviço.

Segundo o Postnord, o serviço de envio de cartas se tornou “obsoleto e economicamente inviável” devido ao alto nível de digitalização da sociedade e do governo da Dinamarca – por lá, tudo tem um aplicativo próprio.

Luiz Inácio Lula da Silva

“Restam muito poucas cartas na Dinamarca,” disse o Postnord na nota em que anuncia a decisão. “Na verdade, o volume de cartas enviadas diminuiu mais de 90% desde 2000 e continua a diminuir rapidamente.”

A empresa também terá que retirar das ruas as mais de 1,5 mil caixas postais vermelhas usadas para receber as correspondências; elas estão sendo leiloadas.

Três horas após o início das vendas, mil caixas postais foram vendidas, com as em melhores condições vendidas a 2 mil coroas dinamarquesas (US$ 290), e as mais avariadas custando 1.500 coroas dinamarquesas (US$ 217). Outras 200 serão leiloadas em janeiro. Todo o dinheiro das vendas será enviado para instituições de caridade.

Enquanto a Dinamarca se torna um dos primeiros países do mundo a admitir a inviabilidade econômica do serviço postal estatal… no Brasil os resgates financeiros dos Correios são a regra.

Com o aval da União, o Correio acaba de tomar um crédito de R$ 12 bilhões junto a bancos; R$ 10 bilhões já foram desembolsados em dezembro, e o restante sai até o final do mês.

O presidente da empresa, Emmanoel Rondon, disse que não descarta buscar mais R$ 8 bilhões ao longo do ano, seja por meio de aportes do Tesouro ou de um novo empréstimo.

O plano é iniciar um processo de corte de gastos na empresa e interromper a sequência de 12 trimestres consecutivos de prejuízo.

Enquanto o Brasil tenta tapar o buraco na mangueira para conter o vazamento, a Dinamarca entendeu que o problema era a própria mangueira.