A Digibee — uma startup de software as a service que ajuda grandes empresas a integrar seus sistemas — acaba de levantar US$ 25 milhões para executar uma estratégia de expansão global, começando pelos Estados Unidos. 

A rodada — que avaliou a startup em US$ 125 milhões (post money) — foi liderada pelo Softbank e teve a participação de Kinea Ventures e da G2D, a holding de startups da GP Investimentos listada na B3.

Fundada por três executivos com carreiras na IBM, CA Technologies e Santander, a Digibee desenvolveu uma plataforma que facilita que as empresas façam a integração de sistemas como SAP, Salesforce, Service.Now e VTEX.

A integração desses sistemas é complexa porque é preciso traduzir cada um dos protocolos de cada sistema para que eles conversem entre si. 

A Digibee já atende 250 clientes, incluindo gigantes como Itaú, B3 e Carrefour. Em janeiro, a startup atingiu uma receita recorrente anual de US$ 14 milhões com base nos contratos já assinados, e pretende fechar o ano com pelo menos US$ 30 milhões de receita.

A Digibee está tirando clientes de multinacionais como a Oracle e IBM, que prestam esse mesmo serviço. 

O grande pitch para convencer as empresas a trocar os prestadores globais pela Digibee é o binômio agilidade e preço. Enquanto a plataforma da startup consegue fazer integrações em poucos dias, as gigantes podem demorar meses, o cofundador Rodrigo Bernardinelli disse ao Brazil Journal. 

Na parte da cobrança, a assinatura do software da Digibee sai até um pouco mais cara, mas há uma economia brutal no pós-venda, segundo ele.

“Para cada dólar que a empresa gasta com o software dos nossos concorrentes, ela tem que gastar mais US$ 3 com prestadores de serviços para implementar as integrações,” disse Rodrigo. “Estamos dando uma nova arquitetura para o cliente, ensinando ele a ser independente, e evitando que ele gaste mais depois.”

A startup ajudou, por exemplo, uma grande varejista a implementar o pagamento por PIX em todas as suas lojas. Para isso, teve que integrar o sistema de POS da varejista com seu sistema financeiro e depois com os bancos, que são os donos dos APIs do PIX.

“Fizemos isso em cinco dias, enquanto outras empresas do setor estão demorando três meses,” disse o fundador. 

A Digibee também está ajudando a B3 a integrar seu mercado de balcão com as plataformas das corretoras. A startup já criou os APIs necessários nos balcões da B3, e agora vai começar o processo de fazer as integrações com as corretoras interessadas. 

Rodrigo diz que a Digibee já gera caixa e não teria necessidade de capital para continuar crescendo no Brasil. 100% do dinheiro da rodada vai financiar o crescimento nos Estados Unidos, onde a empresa já atende 20 clientes.

“No Brasil, somos lucrativos e vamos continuar reinvestindo o lucro para crescer. Mas não dá para financiar uma expansão nos EUA com receita em real,” disse Rodrigo. 

Nos próximos 12 a 18 meses, a empresa espera estar fazendo 20% da receita nos EUA. Em seguida, planeja uma Série B para começar sua expansão global, entrando em países da América Latina e Europa.