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O projeto de combustível sustentável de aviação (SAF) da Acelen Renováveis, empresa de energia criada pelo Mubadala Capital, está cada vez mais próximo das etapas operacionais.
A empresa investe no ambicioso projeto de produzir, em escala global, combustíveis renováveis a partir de uma planta nativa do Brasil, a macaúba – que tem uma produtividade de óleo por hectare plantado até dez vezes superior à vista na soja, por exemplo.
É com esse recurso que a Acelen Renováveis quer produzir o SAF (combustível sustentável de aviação) e o HVO (diesel renovável).
Resumidamente, o SAF terá a mesma funcionalidade do querosene fóssil, enquanto o HVO pode ser usado no transporte pesado com a infraestrutura atual. Detalhe: ambos reduzem significativamente as emissões de CO₂ e são peças centrais da descarbonização do setor de mobilidade.
O avanço mais emblemático da Acelen Renováveis veio em setembro de 2025. Em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros, a empresa alcançou taxas de germinação do fruto de até 80%.
Não é um número trivial: as taxas vistas da macaúba na natureza giram entre 3% e 5%.
Segundo o CEO da Acelen Renováveis, Luiz de Mendonça, essa taxa de sucesso vai destravar a produção em escala das mudas – a primeira pré-condição para o projeto industrial.
“O novo protocolo elimina o principal gargalo agronômico da espécie e abre caminho para a produção em larga escala de mudas,” disse Mendonça.
Toda a evolução aconteceu dentro do Acelen Agripark, o maior centro de inovação do mundo dedicado à planta. O complexo ocupa 138 hectares, recebeu R$ 314 milhões em investimentos e conta com financiamento do BNDES. O local tem capacidade para produzir 10,5 milhões de mudas por ano.
Além da germinação, o Acelen Agripark também foi responsável pela primeira extração industrial do óleo da macaúba.
Um outro detalhe crucial para o impacto positivo da macaúba é a possibilidade de transformar pastagens degradadas em produtivas, que capturam carbono aumentando a sua biodiversidade.
“É um marco inédito no mundo. É o ponto em que a pesquisa encontrou a viabilidade econômica,” disse Mendonça.
Até abril de 2026, a Acelen Renováveis já realizou o plantio de cerca de 200 mil mudas em 444 hectares de uma fazenda-modelo na cidade de Cachoeira (BA).
Segundo o executivo, esses passos foram fundamentais para o andamento do ambicioso projeto da Acelen Renováveis, que foi lançado na COP 28 e prevê um investimento inicial de US$ 3 bilhões – que inclui uma biorrefinaria na Bahia e as bases agrícolas na Bahia e em Minas Gerais.
A Acelen Renováveis aposta no crescimento acelerado na demanda por Combustível Sustentável de Aviação (SAF), impulsionado pela sanção da Lei do Combustível do Futuro.
O marco regulatório estabeleceu metas obrigatórias para operadores aéreos no Brasil: a redução das emissões de CO₂ inicia em 1% em 2027, escalando gradualmente até 10% em 2037.
Segundo Mendonça, a política alinha o país a mandatos globais rigorosos, como o ReFuelEU Aviation na Europa e as diretrizes do CORSIA (ICAO), que buscam o Net Zero até 2050.
“Ao criar um horizonte de demanda previsível, a nova legislação consolida o Brasil como um player competitivo no mercado transnacional de descarbonização da aviação,” disse.
É aí que entra a macaúba: o CEO explica que o óleo originado da planta será uma das matérias-primas mais sustentáveis para o combustível.
Só a Acelen Renováveis prevê produzir 1 bilhão de litros de combustível por ano. A empresa calcula que isso permitirá a redução de até 80% das emissões de CO₂ em relação aos combustíveis fósseis.
Além disso, a Acelen Renováveis estima que o cultivo possa sequestrar até 60 milhões de toneladas de CO₂ ao longo da vida útil do projeto.
O plano prevê o cultivo de 180 mil hectares, sendo 20% em parceria com pequenos produtores por meio do programa Acelen Valoriza, que oferece assistência técnica e renda adicional.
Segundo Mendonça, a Acelen Renováveis já possui contratos firmados com traders e distribuidores internacionais, responsáveis pelo transporte, distribuição e venda para companhias aéreas (SAF) e consumidores do diesel renovável (HVO).
O cronograma agora entra na fase de obras da biorrefinaria e de expansão acelerada do plantio. A biorrefinaria deve iniciar a operação em 2029. A ambição do Mubadala Capital é replicar o modelo em até cinco unidades, com investimentos que podem chegar a US$ 13,5 bilhões.
No eixo de certificação, a Acelen Renováveis está avançando nos processos de elegibilidade e certificabilidade de seus combustíveis, etapa essencial para viabilizar a comercialização do SAF nos principais mercados globais.
Segundo Mendonça, isso assegura que o combustível atenda aos critérios de sustentabilidade e rastreabilidade exigidos por autoridades aeronáuticas e clientes internacionais.






