A inteligência artificial está crescendo vertiginosamente – assim como os ataques cibernéticos impulsionados pela tecnologia. 

Em 2025, as empresas sofreram, em média, 1.968 ataques cibernéticos por semana, uma alta de 70% em relação a 2023, segundo a empresa americana Check Point Software.

A AI tem muito peso nessa conta: uma pesquisa feita pela IBM aponta que um em cada quatro ataques foi potencializado pela tecnologia. O custo médio das violações: US$ 6 milhões.

Mas toda crise gera uma oportunidade. Quem está surfando nessa onda são as empresas de cybersecurity – e seus investidores.

Por isso, o Safra decidiu transformar esse problema em uma tese de investimento.

No início deste ano, o Safra lançou o Safra Segurança Digital – Cybersecurity, um fundo dedicado às empresas que podem se beneficiar do crescimento dos gastos com proteção digital.

Não que a tese seja tão nova assim: desde 2020, o  mercado de cybersecurity cresce mais de 20% ao ano, impulsionado pela migração para a nuvem, pela adoção do zero trust e, mais recentemente, pelos agentes de AI. O próprio Safra já investia em algumas dessas empresas por meio do seu fundo de AI. 

Mas a inteligência artificial está acelerando essa demanda.

Até pouco mais de uma década atrás, proteger uma empresa significava basicamente defender seu perímetro com firewalls e antivírus.

Depois vieram notebooks e smartphones, a nuvem e o home office. Agora, os agentes de AI escrevem códigos, executam comandos, interagem com sistemas e tomam decisões. 

Na prática, cybersecurity virou uma despesa praticamente obrigatória para as empresas.

Ou seja, investir em cibersegurança virou algo básico, como manutenção de elevador. Você tem que fazer, porque não dá para não gastar dinheiro numa coisa que pode gerar um prejuízo enorme para as empresas.

Não por acaso, diversas pesquisas mostram que a cybersecurity costuma estar no topo das prioridades de executivos de tecnologia.

Mas, para o Safra, muita coisa ainda deve mudar nesse mercado – especialmente uma consolidação.

Segundo o IBM Institute for Business Value (IBV), uma grande companhia usa, em média, 83 ferramentas de segurança de 29 fornecedores diferentes. Gerenciar tantos sistemas é complexo e aumenta o tempo de resposta a um ataque.

Por isso, a aposta do Safra é que esse mercado vai se consolidar em torno de plataformas capazes de oferecer diversas soluções em um único lugar. 

Hoje, o fundo de cybersecurity tem cerca de 10 a 11 empresas, selecionadas ativamente pela equipe de análise – e está tendo um retorno substancial. 

A concentração é proposital: o Safra acredita que um grupo menor de líderes deve capturar boa parte dessa consolidação. 

O Fundo Safra Segurança Digital – Cybersecurity rendeu mais de 700% do CDI nos últimos 6 meses. Apenas em agosto, a alta foi de 8%. CrowdStrike, Palo Alto Networks e Fortinet estiveram entre as maiores contribuições desde o lançamento. 

O case CrowdStrike 

Uma das maiores posições do fundo, a CrowdStrike reportou no último trimestre uma aceleração da demanda em áreas que vão da proteção de computadores e identidade digital à nuvem e detecção de ameaças com AI. 

A companhia também fechou um grande contrato com um laboratório de inteligência artificial cujo nome não foi divulgado e aumentou suas projeções para o ano.

Embora as duas teses estejam diretamente conectadas, o Safra vê o fundo de cybersecurity funcionando como um complemento – e não uma repetição – de sua aposta em AI.

Enquanto o Safra Inteligência Artificial investe no ecossistema necessário para construir e operar a infraestrutura de AI, o novo fundo busca as empresas que podem se beneficiar da necessidade de proteger essa mesma infraestrutura.

Nos primeiros seis meses, a correlação entre as duas estratégias foi de apenas 0,18*, segundo os executivos. 

Há uma lógica por trás disso: o surgimento de um modelo de AI mais barato pode pressionar algumas empresas da cadeia de inteligência artificial. 

Mas, na visão do Safra, isso pode ser benéfico para o fundo de cybersecurity: tornar a tecnologia mais acessível também pode colocar ferramentas mais poderosas nas mãos de quem pretende usá-las para atacar.

Ou seja, quanto mais a AI avança, maior tende a ser o desafio das empresas que estão tentando proteger corporações e consumidores.

E é nesse problema (ou solução) que o Safra decidiu investir.

* segundo MSXXAI (Morgan Stanley), em USD, proxy da indústria de IA. Retornos diários de 27/02/2026 a 28/07/2026, 104 pregões. Data base: 28/07/2026

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