A Energisa chegou a um acordo para a aquisição de cinco usinas de geração solar distribuída da Matrix Energia, aproveitando-se da crise financeira da companhia controlada pela Prisma Capital e pela franco-suíça Duferco para expandir sua atuação no chamado setor de GD.

Controlada pela família Botelho, a Energisa opera 126 usinas solares de GD por meio da subsidiária (re)energisa, num total de 473 megawatts-pico em potência, e o pacote em negociação com a Matrix vai agregar mais 26 MWp. 

Do lado da Matrix, a transação faz parte de uma reestruturação do grupo, que colocou à venda todo seu portfólio de 29 usinas solares com 120 MWp em meio às turbulências recentes enfrentadas em seus setores de atuação, a comercialização de energia e a GD. 

Antes, esses ativos de GD da Matrix chegaram a ser alvo de uma transação com a Thopen, mas 21 delas foram devolvidas após a empresa, que recentemente pediu recuperação judicial, não ter conseguido apresentar garantias.

As cinco usinas que estão sendo vendidas à Energisa ficam no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde a companhia dos Botelho tem concessionárias de distribuição, o que gera sinergias para a operação. 

A Matrix ainda mantém negociações para vender o restante de sua carteira de GD e deve em breve anunciar mais transações, Wilson Ferreira Jr, o CEO da companhia, disse ao Brazil Journal

O movimento da empresa é um exemplo das dificuldades enfrentadas hoje por diversos players que investiram para criar grandes plataformas de geração distribuída e depois viram-se pressionados por um excesso de concorrência no setor que derrubou preços de venda da energia e deixou as usinas com elevada vacância. 

Essa conjuntura está levando muitas empresas de GD a buscar compradores para seus ativos, abrindo por outro lado uma oportunidade para grupos mais capitalizados como a Energisa atuarem como consolidadores.

Outros candidatos a consolidadores no segmento incluem a Cemig, por meio da subsidiária Cemig SIM, que fechou aquisições recentes, além da Brasol, controlada por BlackRock e Siemens, e da Suno – estas duas últimas lançaram captações via fundos imobiliários para investir em M&As de ativos de GD.

Matrix e Energisa não abriram os valores envolvidos no M&A, que está sujeito a condições precedentes incluindo aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).