O Itaú entregou mais um resultado sólido e sem surpresas no crédito – um ativo e tanto no cenário atual.
O lucro foi de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 8% na comparação anual e de 1% no sequencial, em linha com o consenso.
O ROE foi de 24,3% – menor que os 24,8% do primeiro tri mas superior aos 23,3% de um ano atrás.
O banco dos Setubal, Villela e Moreira Salles revisou para baixo o guidance para as receitas de prestação de serviços e seguros este ano: o banco agora projeta um crescimento entre 2% e 5%, comparado a uma previsão anterior de entre 5% e 9%.
Mas a redução já estava mapeada pelo mercado porque o banco vinha indicando que os números estavam mais fracos em reuniões com analistas nas últimas semanas, disse um analista que participou dessas reuniões.

Isso gerou um boato de que o resultado como um todo poderia ser mais fraco, o que não aconteceu. “O balanço veio bem a cara do Itaú,” disse um analista do buyside. “Até porque se viesse ruim no bottom line e inadimplência, o estresse seria generalizado.”
Um detrator das receitas de serviços foi a área de mercado de capitais: as operações de dívida, que vinham sustentando esse segmento, diminuíram em abril e maio em razão dos conflitos no Oriente Médio e dos problemas de crédito no Brasil, que reduziram as captações dos fundos.
Além disso, o Itaú vem reduzindo tarifas que considera “não sustentáveis”, segundo um analista, como as de conta corrente para clientes com maior relacionamento, o que gera pressões no curto prazo.
Outro analista estima que o menor crescimento das receitas de serviços irá reduzir em cerca de 3% o lucro operacional esperado para este ano.
Mas o efeito no lucro líquido pode ser nulo – graças a um ganho fiscal. É que a Selic alta mantém a TJLP elevada, o que aumenta o limite de JCP que os bancos podem deduzir do imposto. Se o Itaú pagar mais JCP, a alíquota de imposto deve diminuir, beneficiando o lucro líquido.
Os indicadores de crédito – monitorados no detalhe num momento de piora do ciclo – continuaram fortes.
A inadimplência acima de 90 dias consolidada, que inclui as operações do banco em toda a América Latina, ficou estável em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo. No Brasil, a taxa foi de 2,1% em junho, ante 2% um ano atrás.
A carteira de crédito aumentou 2,7% no consolidado e 2,6% no Brasil no trimestre, para R$ 1,5 trilhão. Na comparação anual, a expansão foi de 9,6% nos dois casos.
A margem com clientes cresceu 3,3% no trimestre e 5,1% em relação ao mesmo período de 2025.
A ação do Itaú sobe 23% nos últimos 12 meses, comparado a uma alta de 34% para o índice Bovespa, 19% para o Nubank e 16% para o Bradesco.
O banco vale R$ 478 bilhões na Bolsa.











