A Shein, a gigante chinesa de fast fashion que conquistou o mundo com suas blusinhas a preço de banana e já chegou a ser avaliada em quase US$ 100 bilhões, teve uma estreia frustrante hoje na Bolsa de Hong Kong.

O papel mergulhou 10% no início das negociações mas fechou praticamente estável, com as medidas de estabilização usadas pelos underwriters para evitar grandes quedas no primeiro dia, segundo a Reuters.

O IPO, aguardado há anos, acabou acontecendo num momento em que a Europa e os EUA erguem barreiras contra as importações chinesas de pequeno valor, o principal negócio da Shein.

A ação encerrou o primeiro dia cotada a HK$ 48,50, ligeiramente abaixo do preço de IPO, de HK$ 48,56. Na mínima do dia, negociou a HK$ 43,80.

O market cap ficou em US$ 26,3 bilhões, quase um quarto das avaliações feitas no auge da popularidade da companhia.

Em 2022, logo depois da pandemia, a Shein foi avaliada em US$ 98,2 bilhões numa rodada Série D – à época, mais do que Zara e H&M somadas. Na rodada seguinte, contudo, o valuation recuou para US$ 66 bi.

A Shein ficou com um valuation similar ao da sueca H&M. A espanhola Inditex, dona da Zara, vale bem mais: US$ 210 bi.

Nos EUA, a empresa virou alvo na guerra geopolítica junto com outras chinesas como TikTok e Huawei, disse o Wall Street Journal.

“Não vejo nenhuma narrativa sólida sobre como eles pretendem crescer,” disse ao WSJ um analista da Momentum Works, uma consultoria sediada em Singapura. “Eles falam sobre o que já fizeram, mas, quanto ao futuro, não vejo nada de concreto.”

Em 2025, a receita líquida da empresa teve queda de 39%. O recuo refletiu o fim das isenções para compras de baixo valor (de minimis) nos EUA, o segundo maior mercado da Shein, atrás apenas da Europa.

Com sede em Singapura, a Shein queria listar suas ações em Nova York ou Londres, mas esbarrou nos obstáculos políticos e de reguladores, segundo o Financial Times, em meio a uma análise rigorosa da cadeia de fornecedores da companhia.

O IPO não teve demanda expressiva. A tranche para os investidores de varejo atraiu 4,6 vezes a oferta, e a tranche internacional, apenas 1,6 vezes. A empresa levantou US$ 1,7 bilhão.

A companhia saiu avaliada em 15 vezes os lucros projetados, segundo estimativas da Bloomberg Intelligence. É o dobro do múltiplo da PDD Holdings – controladora da Temu. O índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, tem um múltiplo de 10,7x.

“Os investidores privilegiam agora as apostas em AI. O apelo da Shein é limitado, por se tratar de uma empresa de comércio eletrônico tradicional que depende fortemente da competição por preços,” disse à Bloomberg um diretor do banco de investimentos Chanson & Co.

Para o executivo, a empresa tem pela frente uma alta de custos associada às tensões comerciais com os EUA e uma perspectiva de crescimento menos atraente do que a do Alibaba ou da PDD.

No Brasil, entretanto, a chinesa deverá colher uma vitória em breve, com o projeto em tramitação no Congresso para derrubar definitivamente a ‘taxa das blusinhas’.

A Shein foi fundada na cidade de Nanjing, em 2008, por Sky Xu, um filho de operários. De acordo com a Bloomberg, a fortuna pessoal do empreendedor está agora em cerca de US$ 8 bi.