A SpaceX de Elon Musk e a xAI estão em negociações para uma fusão, numa transação que daria uma nova escala ao IPO da SpaceX, previsto para este ano, disse a Reuters.

A união colocaria sob um mesmo guarda-chuva os foguetes e satélites da Starlink, a plataforma de mídia social X, e o chatbot de AI Grok, da xAI. Segundo a Reuters, as informações são de uma fonte que acompanha de perto a operação. O prospecto da possível união estão em documentos vistos pela reportagem da agência de notícias.

Segundo a fonte, as ações da xAI seriam trocadas por ações da SpaceX. Ambas as empresas possuem capital fechado, ao contrário da Tesla. Ainda segundo a fonte, duas entidades foram criadas em Nevada para facilitar a transação.

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A SpaceX é a empresa de capital fechado mais valiosa do mundo. Foi avaliada em US$ 800 bilhões em uma recente venda de ações de seus executivos. A xAI foi avaliada em US$ 230 bi numa rodada fechada este mês.

A notícia parece corroborar as especulações de que o plano final de Musk é a convergência de todos os seus negócios numa única entidade (a X Corp?), enquanto redobra suas apostas na inteligência artificial.

Musk acaba de anunciar o fim da produção de dois modelos da Tesla para liberar espaço nas linhas de montagem para a produção de sua nova grande aposta: o robô Optimus.

A Tesla agora quer ser reconhecida como uma ‘companhia de AI físico’ – e o seu plano de investimentos demonstra a estratégia all in em robôs.

“Chegou a hora de encerrar os programas S e X e avançar rumo a um futuro autônomo,” disse Musk. “Este será um ano de grandes investimentos em bens de capital, porque estamos fazendo grandes investimentos para um futuro épico.”

Os dois modelos que serão descontinuados estão entre os mais caros e luxuosos do portfólio da Tesla, mas possuem volume modesto de vendas. Os modelos mais populares são o 3 e o Y, que representaram 97% das 1,59 milhão de unidades entregues no ano passado.

A fábrica em Fremont, na Califórnia, será transformada em linha de montagem do Optimus, com a meta de  entregar até 1 milhão de robôs ao ano.

Mas Musk disse que a máquina humanóide ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento. O volume de produção não será expressivo este ano.

“É um robô incrível, parece um humano,” disse Musk. “Isso também ajuda nossa estratégia para a AI, porque podemos aprender como os humanos realizam as tarefas e fica mais fácil ensinar o robô.”

Na divulgação de resultados, na quarta-feira à noite, a empresa informou que elevará o capex neste ano para US$ 20 bilhões, o dobro da projeção dos analistas e bem acima dos US$ 8,5 bilhões de 2025.

Para cumprir o seu ambicioso programa de investimentos, a Tesla conta com o seu colchão de US$ 36 bilhões em caixa, já descontando as dívidas. Mas a empresa considera captar financiamentos.

A Tesla informou ainda que irá também investir US$ 2 bilhões na xAI – a empresa de capital fechado que desenvolve  os modelos de AI do serviço Grok e controla o X – também conhecido como o ‘ex-Twitter.’  

Musk afirmou que a Tesla atualizou sua missão para “amazing abundance” – e não mais a aceleração da transição energética para fontes sustentáveis. “Acredito que, a longo prazo, o Optimus terá um impacto muito significativo no PIB dos EUA,” disse Musk.

Os acionistas, contudo, precisam ter paciência. A Tesla vem espremendo as suas margens e vai queimar bilhões e bilhões de dólares em seu novo ciclo de investimentos.

“Uma década depois de seus altos gastos com o desenvolvimento de veículos elétricos terem levado a preocupações com falência, Musk está mais uma vez se preparando para gastar montanhas de dinheiro em busca de um grande sonho,” disse o Financial Times.

A ação da empresa caiu 3% hoje. No ano, o recuo chega a 7%. Desde o seu all time high, em 22 de dezembro, a desvalorização é de 16%. No mesmo período, o Nasdaq avança 2%.

Em 2025, as vendas da Tesla totalizaram US$ 94,8 bilhões, uma queda de 3% em relação ao ano anterior. Em unidades, perdeu para a chinesa BYD o posto de maior produtora mundial de EVs.

Musk saiu na frente, mas hoje enfrenta uma competição acirrada, e não apenas dos chineses. Além disso, as vendas globais da Tesla – principalmente na Europa – têm sido impactadas pela atuação política de seu fundador.

Pelo que indicou Musk, entretanto, os carros elétricos ‘convencionais’ deixaram de ser a prioridade para dar início à era dos robôs.

O empresário afirmou que, em breve, praticamente toda a produção de veículos da Tesla deverá ser de modelos autônomos. Segundo Musk, a maior parte da produção deverá ser dos Cybercabs – os táxis que dispensam motoristas.

Os ‘robo-táxis’ vêm rodando experimentalmente em Austin e em San Francisco. A produção em série deve ser iniciada em abril. “Esperamos estar em dezenas de grandes cidades até o final do ano,” disse Musk.