Flávio Augusto, o fundador da Wiser Educação, está deixando o cargo de CEO e passará a ser o chairman da companhia.
Carlos Lazar, um executivo com passagens pela Cogna Educação e XP, e hoje o chief strategy officer e diretor de relações com investidores da Wiser, será o novo CEO.
A mudança na cúpula foi anunciada no início da tarde em uma convenção para 200 líderes da empresa em São Paulo.
É a segunda vez que Flávio repete o movimento de deixar o dia a dia das operações e seguir para o conselho da companhia, que hoje fatura R$ 600 milhões e tem como sócios a família de Carlos Wizard e a Kinea.

Em 2015, o empresário recomprou a rede de escolas de inglês Wise Up por menos da metade dos R$ 877 milhões que recebeu ao vendê-la para a Abril Educação em 2013. Mesmo morando em Orlando, Flávio seguiu no comando da empresa, então rebatizada de Wiser.
Passados quatros anos de reorganização da empresa, em janeiro de 2019, ele anunciou sua saída para o conselho. Mas aí veio o ano de 2020, e tudo mudou outra vez.
“Estava tudo pronto para o nosso IPO, com sindicato de bancos contratado, mas aí veio a pandemia e eu precisei reassumir a empresa de forma massiva,” Flávio disse ao Brazil Journal. “Tivemos que pivotar uma empresa com 420 escolas físicas para um novo formato totalmente online.”
Foi nessa guinada que a Wiser mudou o foco: do ensino de línguas para empregabilidade e soft skills. Desde então, a companhia fez uma série de aquisições.
Em 2021, anunciou um aporte minoritário na escola de negócios Conquer. Também adquiriu escolas que oferecem cursos preparatórios em diferentes áreas: a Aprova Total, focada no Enem e vestibulares, e a MedCof, que oferece cursos para os processos de residência e titulação médica.
Além disso, criou o Vende-C, especializado em curso de vendas e o Performan-C, com cursos para o aumento da produtividade e competências. Somando as diferentes plataformas, cursos e marcas do grupo, a Wiser tem mais de 500 mil alunos.

“Quando o Flávio falou que tudo estava pronto para o IPO, a empresa era um quarto do que ela é hoje,” disse Lazar, que está na companhia desde 2021. “Hoje a empresa está com R$ 610 milhões de faturamento e R$ 220 milhões de EBITDA.”
Os planos de IPO seguem firmes. “Temos tamanho e relevância. Mas, obviamente, precisa ter janela,” disse o fundador da companhia.
Lazar chega ao posto de CEO da empresa com a missão de levar o faturamento a R$ 1 bilhão até 2028. Para isso, uma das estratégias é ganhar terreno novamente no ensino presencial.
A Wise Up começou a reabrir as unidades físicas em 2023. Hoje são 100 escolas, e o plano é chegar em 400 até 2028, o mesmo tamanho da rede antes da pandemia.
A Conquer, que começou a franquear lojas físicas no ano passado, deve acelerar esse modelo este ano, com a estimativa de abertura de 25 unidades.
Outra frente de crescimento continuará vindo de aquisições. “A gente continua olhando várias possibilidades, tanto em novas verticais de conhecimento como em áreas em que a gente já atua,” disse Lazar. “O apetite continua para aquisições de forma geral. É uma questão de oportunidade e de timing.”
Segundo Flávio, a companhia tem um interesse específico na educação médica, que cresce acelerada no País. Entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, o Ministério da Educação autorizou a criação de 77 novos cursos de medicina, totalizando 4.412 vagas de graduação.
Enquanto cresce a oferta na graduação (hoje são 50 mil vagas por ano, o dobro de uma década atrás), a oferta de vagas de residência médica segue estável, aumentando a competição pela especialização e a necessidade de preparo do aluno.
“Nossas operações de educação médica estão crescendo bastante. As sinergias entre elas podem ser muito grandes, mas a gente não está deixando de olhar qualquer outra oportunidade que tem no mercado,” disse Flávio. “A gente efetivamente vai fazer outras aquisições nos próximos três anos.”
Flávio disse que sua rotina não muda com a nova posição. O empresário costuma passar uma semana por mês no Brasil para suas diversas atividades aqui.
Ativo nas redes sociais, Flávio tem 5,6 milhões de seguidores no Instagram, o que alavanca sua carreira de mentor e palestrante Brasil afora.
Mudou tudo de novo, mas segue essencialmente igual.











