O CEO da Heineken, Dolf van den Brink, decidiu deixar a empresa após seis anos no cargo e 28 de casa. 

A decisão ocorre em um momento de forte turbulência para a segunda maior produtora de cerveja do mundo, que não tem conseguido crescer suas vendas e foi obrigada a revisar seu guidance para baixo por duas vezes no ano passado.

Dolf seguirá ocupando o posto até 31 de maio, enquanto a cervejaria — dona de marcas como Amstel, Tiger, Desperados e Lagunitas — busca um sucessor. Depois, atuará como um consultor externo por mais oito meses.

A ação da Heineken caiu 4% com a notícia para € 67,18. Nos últimos 12 meses, o papel sobe 4%.

Desde que assumiu o posto de CEO em meados de 2020, Dolf tentava impulsionar a empresa em meio a um cenário de turbulência para o setor e de queda no consumo global de cerveja. Nunca conseguiu.

O executivo cortou postos de trabalho e investiu em mercados emergentes, mas a cervejaria sofreu com a pandemia, com a guerra da Ucrânia, a alta da inflação, e mudanças nas tendências globais de consumo. Pior: a performance foi inferior à da concorrência.

Diante de um crescimento de vendas mais fraco que o esperado na Europa e nas Américas (e queda nas vendas globais), Dolf anunciou em outubro a segunda redução de guidance em um ano e traçou planos transformacionais para 2026-2030.

Além de uma nova reestruturação do organograma, a empresa se propôs a investir em mais produtos não alcoólicos para atender às mudanças no perfil de consumo dos clientes. 

O board disse hoje que estes planos serão mantidos e tocados pelo próximo CEO.

“A saída de Dolf não é uma surpresa, visto que a empresa teve um desempenho significativamente inferior ao dos concorrentes durante sua gestão,” analistas da RBC Capital Markets disseram ao Wall Street Journal.

“A Heineken precisa de alguém capaz de aproveitar a mudança nos hábitos de consumo de bebidas alcoólicas, em meio à queda nas vendas de cerveja, para atrair os consumidores mais jovens de volta aos bares e restaurantes e revitalizar a oferta de bebidas alcoólicas e não alcoólicas da empresa,” disse o analista da Bloomberg Intelligence Duncan Fox.

A Heineken vale € 39 bilhões na Bolsa.

A Anheuser-Busch InBev, para efeito de comparação, vale € 111 bilhões. A ação sobe 25% nos últimos 12 meses.