As importações de aço estão finalmente caindo no Brasil, depois de anos tirando o sono das siderúrgicas locais.
Quer dizer, não é bem assim.
Um relatório publicado pelo Bradesco BBI está desafiando essa leitura – afirmando que, quando se olha para o aço que chega ao País dentro de carros, máquinas e autopeças, a penetração dos importados está, na verdade, caminhando para um recorde.
De fato, a importação direta de aço teve uma forte redução: queda de 21% nos primeiros sete meses do ano, para 3,3 milhões de toneladas.
Segundo o BBI, as medidas adotadas pelo Governo ajudaram nessa redução. O Brasil impôs medidas antidumping contra alguns produtos chineses e reduziu em cerca de 30% as cotas de importação de diversas categorias.
Mas aí o aço chinês encontrou outra porta de entrada.
Nos primeiros sete meses do ano, o volume de aço contido em produtos manufaturados importados cresceu 19%, chegando a 4,2 milhões de toneladas – superando, inclusive, a importação direta.
Dois terços desse crescimento vieram do setor automotivo. O volume de aço contido apenas nos carros e veículos comerciais importados disparou 69%.
Somando as duas formas de importação, o Bradesco BBI estima que o aço estrangeiro responderá por 40,4% da demanda brasileira este ano – um recorde. Em 2016, eram 27%.
“Criou-se uma percepção de que a coisa estava melhorando no Brasil, mas a importação mudou de forma,” Rafael Barcellos, analista do Bradesco BBI, disse ao Brazil Journal.
Resultado: mesmo com a queda da importação direta, as siderúrgicas brasileiras quase não foram beneficiadas.
Das 851 mil toneladas de aço importado que deixaram de entrar diretamente no País nos primeiros sete meses do ano, as usinas locais recuperaram apenas 6 mil toneladas. Enquanto isso, as importações indiretas cresceram 678 mil toneladas.
Para o analista, isso pode mudar até o alvo da pressão protecionista da indústria.
“O Governo protegeu o setor de aço, mas não protegeu maquinário, autopeça e automóvel. O aço está sendo importado dentro do produto acabado,” disse Rafael.
O cenário também ajuda a explicar por que o BBI continua cauteloso com as siderúrgicas brasileiras.
O analista diz que os estoques elevados, a demanda mais fraca e o crescimento das importações indiretas limitam o poder de reajuste de preços das empresas.
O banco vê pouco espaço para aumentos relevantes nos próximos meses e não descarta novas quedas de preços caso a demanda piore.
O BBI tem recomendação de outperform para a Ternium, enquanto Gerdau, CSN e Usiminas são neutral.











