O americano médio acha que 30% da população dos Estados Unidos é judia. 

A realidade? Menos de 2%. 

Ele também acredita que 21% de todos os americanos são trangêneros (a realidade: 1%), e que 26% de seus fellow Americans têm renda anual acima de US$ 500 mil (a realidade: de novo, 1%).

Os números – que fazem parte de uma pesquisa da YouGov com 1.000 americanos – escancaram a falta de conhecimento de boa parte das pessoas quando se trata de grupos demográficos, além de uma tendência a superestimar o tamanho das minorias. 

Os erros acontecem ao se falar de praticamente todos os grupos demográficos. 

Os entrevistados também estimaram que 30% dos americanos são gays ou lésbicas, contra os 3% da vida real; e que 29% são bissexuais, contra os 4% reais.

Ao falar de minorias raciais e de imigrantes, o gap entre estimativa e realidade também é gigantesco.

Os americanos erram – brutalmente – a proporção de sua população que é asiática (estimativa: 30%, realidade: 2%), negra (estimativa: 41%, realidade: 12%), e de povos nativos (estimativa: 27%, realidade: 1%). 

Essa percepção errada sobre minorias já havia aparecido em outras pesquisas anteriores – e sempre foi atribuída a fatores como o medo do desconhecido, a falta de conhecimento pessoal (um americano branco que nunca conviveu com um americano negro) ou ainda estereótipos criados na mídia. 

A YouGov, no entanto, acha que esse não é o caso. 

“Descobrimos que a tendência de errar o tamanho dos grupos demográficos é apenas uma faceta de uma tendência mais ampla de superestimar pequenas proporções e subestimar as grandes, independente do assunto,” escreveu num artigo Taylor Orth, uma analista de dados da YouGov. 

Segundo ela, se a percepção exagerada do tamanho das minorias americanas tivesse a ver com medo do desconhecido, as pessoas que fazem parte dessas minorias deveriam ter mais sucesso acertando os números – o que não aconteceu. 

“Testamos essa teoria em grupos de minorias que foram representados por pelo menos 100 entrevistados em nossa amostra e descobrimos que eles não eram melhores (e muitas vezes eram piores) do que não membros do grupo em adivinhar o tamanho relativo do grupo minoritário ao qual pertencem,” escreveu Taylor.

Os próprios americanos negros, por exemplo, estimaram que eles representam 52% da população adulta americana, contra os 12% reais. 

Mas por que a matemática demográfica é tão difícil para as pessoas?

Outro estudo recente sugere que o cerne da questão está no pensamento racional. Quando as pessoas têm que fazer uma estimativa sobre a qual não têm certeza, como o tamanho de uma população, elas tendem a superdimensionar suas percepções pessoais para tentar corrigir o que acreditam ser o seu viés.

Assim, um americano que não tenha um amigo negro tende a achar que a sua realidade não é representativa – e chuta que a população negra deve ser muito maior do que sua experiência pessoal. 

“As pessoas assumem que suas experiências pessoais têm um viés, e para corrigir isso eles aumentam a sua estimativa inicial para mais perto do que consideram ser a mediana de um grupo (isto é, 50%),” escreveu Taylor. “Isso pode facilitar os erros de estimativas em pesquisas como as nossas, já que não exigimos que as pessoas limitem a soma das demografias a 100%.”