Com o fluxo voltando para os EUA – e em meio a um desequilíbrio fiscal global – a Verde montou uma carteira que combina posições em ouro, prata, ações globais de tecnologia e um stock picking na Bolsa brasileira.
Além disso, como é característica da casa, “hedges baratos” em diferentes mercados.

Um “must have”, na visão de Luis Stuhlberger, o fundador da Verde, é uma operação que combina compra de dólares no exterior e venda de dólar futuro na B3 – como proteção caso “as coisas deem muito errado” num eventual novo governo Lula.
“Se houver qualquer restrição à saída de capitais, o dólar negociado off vale muito mais que o onshore,” Stuhlberger disse no evento anual da casa para investidores.
Para o gestor, “qualquer portfólio deveria ter um pouco de ouro e prata” diante dos conflitos geopolíticos, dos problemas fiscais e do risco de “repressão fiscal” – quando os juros são mantidos artificialmente baixos para reduzir o custo da dívida pública.
“Não estamos longe do dia em que os bancos centrais vão começar a comprar prata como reserva,” disse Stuhlberger. O Verde tem 5% do patrimônio investido em ouro e 3% em prata.
O gestor lembrou que a prata é demandada por quem busca proteção contra inflação e desequilíbrios fiscais e também pela indústria: 60% da produção do metal é usada em bens como chips, semicondutores e sistemas eletrônicos de veículos.
Aproveitando a queda recente de preço, a China dobrou as importações de prata entre janeiro e abril deste ano frente ao mesmo período de 2025 – para 2 mil toneladas –, e aumentou as compras de ouro em 80%, para 529 toneladas, no período. “Vale a pena acompanhar o que a China está fazendo.”
A Verde tem ainda 4% do PL investido no S&P500 e 4,8% numa carteira de ações globais, com um peso relevante em tecnologia.
A visão da gestora é de que as transformações geradas pela AI estão apenas no começo, e que os preços das ações, na média, não estão descolados dos fundamentos.
“Estar long em bolsas globais com exposição a tecnologia é a melhor maneira de capturar esse ciclo,” disse Daniel Campion, o co-gestor da estratégia de ações globais da Verde.
No Brasil, a gestora tem 6,8% do patrimônio numa carteira de ações e outros 6,8% numa estrutura de opções de EWZ. Para Antonio Barreto, o head de análise de ações Brasil, o momento é de fazer stock picking para além das blue chips.
Excluindo as produtoras de commodities, na média as demais empresas da Bolsa não melhoraram suas previsões de lucro para 2026, diferentemente do que aconteceu em outros mercados emergentes. Com a Bolsa cada vez mais dependente do investidor estrangeiro, “não é por aí que o Brasil vai atrair esse capital de volta,” disse Barreto.
A vantagem da Bolsa brasileira, segundo ele, é ter companhias baratas, geradoras de caixa e desalavancadas. Com isso, conseguem pagar dividendos elevados. É o caso das mid e small caps. Elas são mais voláteis, mas, se bem escolhidas, podem gerar retornos melhores.
A conferência da Verde – cujo principal fundo completa 30 anos em janeiro – estava lotada como sempre. Mas os comentários no welcome coffee eram de desânimo com os juros altos e a eleição.
“Não esperem que os candidatos falem em ajuste fiscal. Quem fizer isso vai ser atacado como alguém que vai cortar programas sociais e aí já era, acabou a campanha, perdeu a eleição,” disse Murilo Hidalgo, sócio do instituto Paraná Pesquisas, que fez uma apresentação durante o evento.
O único “sincericida”, disse Stuhlberger, é Renan Santos. Os demais, se decidirem cortar gastos, “terão de fazer na base do estelionato eleitoral.”
Stuhlberger mostrou ainda o desempenho positivo do Verde no intervalo complicado do pós-pandemia. De 2022 a 2026, o fundo rendeu 85% – acima dos 71% do CDI e dos 55% do índice de hedge funds da Anbima.
O gestor ainda comentou a matéria recente do Brazil Journal sobre a performance ruim e altamente correlacionada dos multimercados nos últimos meses, “meio que chamando a nossa classe de inútil, e apesar de tudo, com alguma razão. Posso não concordar 100%, mas uma boa parte é verdade.”
Ele acrescentou, porém, que não pode ser “acusado de fazer investimentos alavancados, nem de não fazer hedge”.






