A ação da Meta vem caindo nos últimos 12 meses – na contramão do S&P 500 – em meio ao ceticismo do mercado com o pesado capex da empresa em AI.
Mas subestimar o que a companhia pode extrair desses investimentos é um erro na visão dos gestores da Arbor Capital, uma casa fundada em 2014 para investir em ações no exterior e que tem a Meta há dez anos na carteira.
Para Leonardo Otero, o sócio-fundador da Arbor, os investidores deveriam dar o benefício da dúvida à companhia, que está montando uma das maiores infraestruturas de AI do mundo – sem que isso esteja refletido no valuation.
“Vemos um upside gigante e um downside controlado, porque os ativos atuais estão performando muito bem,” disse ele numa call com investidores ontem à noite.

Otero acredita que a Meta tem o “right to win” por seus diferenciais competitivos em AI. Um deles é a capacidade de distribuição: a empresa tem 3,6 bilhões de clientes pessoas físicas, 250 milhões de empresas e 10 milhões de anunciantes.
Outro diferencial é a quantidade de dados proprietários que podem ser usados para treinar modelos de AI. Além disso, a companhia gera caixa para sustentar investimentos e atrair talentos.
Para a Arbor, a plataforma de AI tem potencial próprio de monetização em diferentes frentes. Pode, por exemplo, melhorar a eficiência dos anúncios, ao aprimorar a escolha do público-alvo, a criação e a conversão.
Além dos ads, outras fontes de receita podem ser novos apps nativos de AI e o desenvolvimento de agentes para as empresas da base, ajudando-as a vender e automatizar processos.
No mínimo, “se nada der certo”, a Meta poderia monetizar sua capacidade computacional como “cloud”, alugando parte da capacidade instalada.
Em resumo: se o investidor foca apenas no EPS de curto prazo, a depreciação crescente torna a ação mais cara; mas, se parte relevante do capex está criando uma infraestrutura de AI monetizável, a conta deveria incluir novas receitas — que, segundo a gestora, ainda não entraram nas projeções da maioria dos analistas.
Perguntados sobre quanto o mercado de propaganda ainda pode crescer depois da forte expansão em relação ao PIB global nos últimos anos, os gestores da Arbor disseram que “enquanto os anúncios forem rentáveis, não há limite”.

Diferentemente do que acontecia no passado, quando as marcas faziam basicamente campanhas de branding na expectativa de vender mais, hoje é possível medir o resultado dos anúncios. Se “converterem”, fazem sentido.
Com R$ 700 milhões em AUM, a Arbor tem no portfólio outras empresas ligadas à cadeia de AI, como TSMC (a maior posição) e Alphabet, além de companhias como GE Aerospace, Booking, Mastercard e SAP.
Por setores, 17% da carteira está investida em semicondutores, 16% em serviços financeiros, 15% em software e cloud e 14% no segmento aeroespacial.
Otero descreveu o primeiro semestre como monotemático, com os investidores focados em narrativas de curto prazo e revisões de lucro.
“Tudo que era visto como beneficiário de AI subiu muito, e o que foi visto da forma contrária caiu muito. Achamos que está muito cedo para travar esse tipo de opinião,” disse ele.
“Nosso portfólio tem empresas que o mercado acha que vão sofrer com AI, mas nós discordamos,” citando a queda de 37% da SAP no primeiro semestre como exagero.
O gestor mostrou dois números de Microsoft e Mastercard nos últimos cinco anos: o lucro por ação de ambas cresceu mais de 100%, mas as ações valorizaram apenas 38%. “Os fundamentos são melhores que o desempenho do papel. Vemos isso como oportunidade,” afirmou.






